terça-feira, 17 de setembro de 2019

União entre comunistas da URSS e George Soros


Original:
https://www.estudosnacionais.com/ciencia-politica/portal-da-esquerda-confirma-uniao-de-comunistas-da-urss-e-george-soros/

Certamente muitas pessoas da esquerda diriam que o livro “O império ecológico” de Pascal Bernardin estaria criado uma teoria conspiratória surreal (e de direita), ao afirmar que Mikhail Gorbatchov teria propositalmente colaborado para dissolução da União Soviética, e embarcado em planos de uma nova ordem mundial visando exercer o poder de uma forma global usando de engenharia social e da conquista gradual de poder por meio de organismos internacionais como as Nações Unidas e outros.

Mas, eis que em 16 de setembro de 2019 o site “Carta Maior – O Portal da Esquerda“, publica um artigo que confirma tudo isso e muito mais. Trata-se do artigo Gorbatchov confessa: ”o objetivo da minha vida foi a aniquilação do comunismo'”

Apesar do forte viés de esquerda presente no texto e alguns vieses, o artigo publicado pelo site de esquerda confirma boa parte das análises do livro O Império Ecológico. Mas ele ainda vai além, citando recentes documentos com sigilo quebrado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), onde explica que o magnata George Soros estava ajudando Mikhail Gorbatchov em todo o processo.

Segundo o artigo, Soros “proporcionou a cobertura econômica ao governo de Gorbatchov, durante o ano de 1987, através de uma ONG ligada à CIA, conhecida como Instituto de Estados de Segurança Leste-Oeste” (IEWSS, sigla em inglês.

Confirmando outros pontos da análise do livro O Império Ecológico, o artigo diz ainda que Soros colaborou com a difusão dos termos “Perestroika” (abertura) e “Glassnost” (transparência), “para o projeto de aceleração do desmantelamento da União Soviética”.

O site de esquerda parece ver nessa manobra algo contra o socialismo e comunismo, mas aí que está o seu erro. Por outro lado, concordo com o artigo quando eles interpretam que esses fatos provam que a queda do regime tenha não foi um ato “espontâneo e democratizante” de Gorbatchov.

De fato, como demonstra o livro de Pascal Bernardin, tudo não passou de uma mudança de estratégia que abandonou o sistema opressivo do comunismo russo, para adotar métodos “não-aversivo” de conquista do poder global. Era preciso abandonar o modelo aversivo da União Soviética, que estava causando muita perda de energia em conflitos, e caracterizava a Rússia como “o grande inimigo”. Por isso, o “grande inimigo” foi sacrificado, para dar a ideia de que “a ameaça acabou”.

Mas, os esquerdistas do site Carta Maior veem nisso tudo um “golpe” contra a Federação Russa. O que houve na verdade, foi a união entre a esquerda e os globalistas por um projeto de poder muito mais amplo.

No livro O Império Ecológico o escritor Pascal Bernardin analisa em detalhes as obras de Gorbatchov, com trechos que vale a pena serem citados aqui e que sintetizam o modo de operação da esquerda atual, financiada por George Soros, Fundação Ford, Bill e Melinda Gates e outros meta-capitalistas.

Dizia Gorbatchov: “…o novo modo de pensamento político considera a solução dos outros problemas globais, aí compreendidos o do desenvolvimento econômico e da ecologia“.

E continua: “isso se aplica não apenas ao desarmamento, a desmilitarização das atitudes mentais e da sociedade mesma, mas também às preocupações gerais pela humanidade, tais como os riscos ecológicos, o futuro dos recursos energéticos, a política sanitária, a educação, a alimentação, o crescimento demográfico, a agressão midiática e assim por diante (M. Gorbatchv, Perestroïka, p. 205, citado em Bernardin, O Império Ecológico, p. 71), grifo nosso.

Pergunto: Não são esses os elementos contidos em toda a Agenda 2030 e presentes em todas as ações da ONU desde a década de 1990? As ideias globalistas mostram-se todas presentes nos escritos de Gorbatchov, e agora sabemos que Soros o estava financiando. E da mesma forma, Soros continua financiando as ONGs de esquerda hoje.

Bernardin explica ainda que a defesa de uma “ecologização da política” e a criação de um “novo sistema de valores” era defendido pelos comunistas que estavam por abandonar o sistema aversivo soviético. Para eles “o sistema de valores ocidental (e, ainda, cristão)” era “cada vez mais anacrônico”. Neste sentido, propunham que no novo sistema de valores onde as “atitudes individuais com relação à natureza deve tornar-se um dos principais critérios que assegurem a moralidade“, não bastando dizer “não matarás”, mas sim, criando uma união entre uma cultura ecológica e a religião. Sobre esse último elemento, vale destacar que a maioria dos que defendiam (e ainda defendem), são ateus.

Bernardin demonstra como Gorbatchov já estava preocupado com a ideia de criação de “problemas globais”, ou seja, problemas que sejam uma preocupação de todos os países. Os problemas globais podem ser reais ou irreais, mas devem existir sempre pois viabilizam uma solução global. Como “problemas globais demandam soluções globais”, justifica-se uma ação internacional que só pode ser realizada por um organismo internacional (leia-se ONU e sua Agenda 2030, com apoio de ONGs e fundações internacionais).

Isso mostra o porquê da grande preocupação com a causa ecológica, por exemplo. Antes de uma preocupação real com o meio-ambiente, o motivo do investimento de Soros e de toda a esquerda nessa pauta é nutrir problemas globais que legitimem a ação de agentes internacionais. Isso garante o poder dos organismos internacionais e o enfraquecimento das soberanias. Compare por exemplo, essa “teoria”, com a atitude recente do presidente da França ao tentar fazer com que o G7 resolvesse o problema das queimadas na Amazônia.

O site Carta Maior, ao final do artigo, interpreta que tudo não passa de um plano da CIA para acabar com o socialismo, atrelando isso a outras ações da CIA em Cuba e Venezuela. Essa interpretação é simplista e poderia ser vista como uma estratégia de desinformação para impedir o leitor de ver o real objetivo para o qual a esquerda e os meta-capitalistas estão trabalhando sistematicamente para alcançar, sempre em parceria.

O livro de Bernardin (pág. 46-48) reproduz longa citação do livro do dissidente comunista Vladimir Boukovsky, onde ele explica que a Rússia comunista vinha desde a década de 1970 com seus intelectuais, produzindo análises sociológicas (sigilosas) para aprimorar o seu sistema de poder. O “programa de revisão ideológico” visava transformar o modelo russo em algo mais racional, mas o objetivo e o “resultado político” eram o mesmo: “a manutenção do poder da elite do Partido”.

Boukovsky destaca ainda, citando Novikov, que “muitos jornalistas apresentaram a finada glassnost como significando o fim do marxismo, quando na realdade ela remontava a uma tradição do marxismo europeu abandonada pelos soviéticos desde 1924″ (Vladimir Boukovsky, Jugement à Moscou, op. cit. p. 483. Citado em O Império Ecológico)

Ironicamente, se faltou na magnífica obra “O império ecológico” de Pascal Bernardin, a ligação entre a “queda do regime soviético” e as ações de globalistas como George Soros, foi justamente “O portal da Esquerda: Carta Maior” quem nos ajudou a comprovar essa ligação e afastar de vez qualquer possibilidade de isso ser uma “teoria conspiratória” da direita.

Os milhões de dólares investidos por Soros e outras fundações na pauta ecológica, aborto, gênero, desarmamento, em movimentos de esquerda, nada mais é do que parte da execução do plano muito bem elaborado. A outra ironia para a vida dos esquerdistas é ver que nada mais fazem do que trabalharem para o “grande capital”.

Outro elemento chave nesse processo que materializa o crescente e assustador poder dos organismos internacionais é a Agenda 2030, que contempla toda essa ideologia e legitima, sistematicamente, o poder da ONU sobre todos os países.

sábado, 10 de agosto de 2019

Relação da esquerda/socialismo/comunismo com o tráfico de drogas e com o crime organizado (PT/PCC/CV)

‘O PT tinha diálogo com nóis cabuloso’, diz líder do PCC grampeado, ao atacar Moro

"Uma liderança do PCC interceptada pela Polícia Federal afirmou que a facção tinha um ‘diálogo cabuloso’ com o PT e criticou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio 
Moro.

"https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/o-pt-tinha-dialogo-com-nois-cabuloso-diz-lider-do-pcc-grampeado-ao-atacar-moro/

“PT usou PCC para lavar dinheiro com empresas no Ceará”, afirma Palocci em delação

O ex-ministro Antonio Palocci, em delação premiada afirmou que o partido dos trabalhadores (PT) teria usado por diversas vezes a facção criminosa PCC “Primeiro Comando da Capital” para lavar dinheiro no Brasil, incluindo o Estado do Ceará.

Segundo depoimento de Palocci, o esquema envolveu o uso de propina na compra de vários imóveis, como um luxuoso apartamento em Moema, registrado em nome de uma empresa de Gesmo Siqueira Santos. Seu irmão Gildasio Siqueira Santos, já falecido, foi denunciado pelo MP por integrar esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio de postos de combustíveis. Gildásio foi sócio (e inquilino) de Leonardo Meirelles, também sócio do doleiro Alberto Youssef.

Para quem não se lembra, Meirelles foi preso na primeira fase da Lava Jato por causa do esquema do Labogen, que também levou à prisão o ex-deputado petista André Vargas. Essa parte explosiva da delação de Palocci está em Brasília.

https://web.archive.org/web/20190718114341/https://www.revistaceara.com.br/pt-usou-pcc-para-lavar-dinheiro-com-imoveis-e-postos-no-ceara-afirma-palocci-em-delacao/

PCC atuava com militantes petistas para coagir sem-teto em SP, diz MP

Na denúncia, o promotor cita num único balaio o Movimento de Luta Social pela Moradia (MLSM), o Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC), o Movimento de Moradia do Centro (MMCR), o Movimento Terra de Nossa Gente (TNG) e o Movimento de Moradia para Todos.

O esquema denunciado funcionaria da seguinte forma, segundo Conserino: os movimentos ocupavam os edifícios e cobravam aluguel das vítimas. Caso não pagassem, “perpetravam todo tipo de ameaças e/ou violência para expulsar
o ‘inadimplente’ do edifício”. O PCC auxiliava a liderança neste tipo de pressão.

Além disso, os moradores seriam compelidos “a votar em integrantes do PT, mudar o título eleitoral para o centro de São Paulo, participar de invasões a novos prédios e, por fim, participar de atos em apoio ao ex-presidente Lula e à ex-presidente Dilma”.


PT tenta suspender decreto contra PCC e Comando Vermelho

O PT quer que o STF suspenda o decreto de Michel Temer contra o crime organizado.

No pedido de liminar, os petistas fazem um paralelo entre os narcotraficantes do PCC ou do Comando Vermelho e os grupos de esquerda durante a ditadura militar:

“O decreto revive tempos sombrios (em plena quadra democrática), quando a propósito também de combater criminosos, crime organizado, terroristas, comunistas ou quaisquer rótulos ultrajantes que se utilizou indevidamente e alienadamente, permitiu-se toda sorte de perseguições a pessoas, grupos, movimentos sociais, entidades de defesa de direitos humanos etc., vulnerando até mais não poder direitos fundamentais e conquistas sociais caras à sociedade e ao povo brasileiro”.

https://www.oantagonista.com/brasil/pt-tenta-suspender-decreto-contra-pcc-e-comando-vermelho/

Inquérito apura se há ligação entre PT e PCC

A polícia de São Paulo abriu inquérito para investigar se há ligação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o PT, após flagrar, por meio de escuta telefônica, presos coordenando os ataques da facção iniciados em maio passado em São Paulo. Nas conversas, os detentos ordenam atentados contra agentes penitenciários e políticos - "qualquer um, menos do PT".
https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/inquerito-apura-se-ha-ligacao-entre-pt-e-pcc/


Ouça e leia: uma gravação em que o PCC deixa claro que é para matar policiais e tucanos e outra em que há a orientação para votar em petista

Desde o primeiro ataque massivo do PCC em São Paulo, espalhou-se a notícia da existência de gravações telefônicas que revelariam uma suposta ligação da máfia dos presídios com políticos do PT. VEJA teve acesso a uma série de diálogos entre membros da organização criminosa, interceptados pela polícia, contendo referências ao PT e ao PSDB. Neles, fica evidente a simpatia do PCC pelo PT, bem como a aversão da organização pelo PSDB.
https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/ouca-e-leia-uma-gravacao-em-que-o-pcc-deixa-claro-que-e-para-matar-policiais-e-tucanos-e-outra-em-que-ha-a-orientacao-para-votar-em-petista/

FARC se solidariza con Lula

Ver:
Hugo Chavez conta como conheceu Lula e Raúl Reyes num encontro do Foro de São Paulo
''As Farc têm todo o tempo do mundo'', diz comandante [Raúl Reyes]

Thieves World: The Threat of the New Global Network of Organized Crime
Claire Sterling



Olavo de Carvalho: "Mostra que, já na primeira metade da década de 90, as várias máfias locais tinham sido todas unificadas no comando da máfia russa. e a máfia russa é o esquema da própria KGB."

Ver mais:

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Desertor revela livro de segredos Soviéticos (Obituário do Vasili Mitrokhin)

Original:
https://arlindo-correia.com/061205.html

Desertor revela livro de segredos Soviéticos (Obituário do Vasili Mitrokhin)
25 de fevereiro de 2004
Vasili Mitrokhin, arquivista da KGB, 1922-2004

Vasili Mitrokhin, que faleceu nesta semana aos 81 anos, foi o arquivista da KGB cuja deserção para o Reino Unido em 1992 revelou verdadeiro tesouro de segredos Soviéticos para o Ocidente.

Vasili Mitrokhin.jpg Rare & Secondhand Books, Rare & Used Textbooks, Rare & Out ...


Os arquivos do Mitrokhin são na verdade um gigantesco conjunto de material cuidadosamente selecionado entre centenas de milhares de arquivos ultra-secretos da KGB. Estes foram laboriosamente copiados ao longos de 12 anos e devidamente escondidos dentro de latas e de caixas de leite e escondidos em baixo da casa de Mitrokhin na Rússia. Estas cópias possuem detalhados relatórios de todas as operações que a KGB montou desde seu primeiro dia em 1917 até a aposentadoria do Mitrokhin em 1984, e demostram a extensão e o sucesso da KGB em se infiltrar no Ocidente, além de como ela oprimia o povo Russo.

Entre outras revelações, as cópias revelam como mais da metade das armas Soviéticas foram feitas a partir de documentos roubados dos Estados Unidos; como a KGB grampeou o telefone de vários oficiais Americanos, por exemplo Henry Kissinger; e como possuía espiões em praticamente todos os grandes fornecedores de suprimentos para os exércitos de todos os grandes países do Ocidente.

Na França, os arquivos mostram que pelo menos 35 políticos importantes de algum modo trabalharam para a KGB durante a Guerra Fria. Na Alemanha, mostram que a KGB infiltrou todos os grandes partidos políticos, o judiciário e a polícia.

Também são fascinantes a profundidade dos planos que eram preparados para desacreditar aqueles que os Russos consideravam inimigos ideológicos. Havia um plano para quebrar as pernas do bailarino Rudolf Nureyev, que havia desertado para o Ocidente em 1961; numa outra ocasião haviam 18 agentes da KGB em operação nas Filipinas com instruções de garantir que o Campeão de Xadrez Soviético, Anatoly Karpov, não seria derrotado pelo desertor Victor Korchnoi no campeonato mundial. Um dos métodos incluía a utilização de um hipnotizador na primeira fileira da audiência, que tinha como função atrapalhar Korchnoi durante as partidas.

No dia 11 de Setembro de 1999, o arquivo de repente se tornou notícia logo após a publicação do livro "O Arquivo de Mitrokhin ", escrito em conjunto com o historiador Christopher Andrew. As revelações que mais chamaram a atenção da mídia não foram tanto as revelações sobre as operações da KGB contra a OTAN ou as repressões contra dissidentes dentro da União Soviética, mas sim as histórias sobre espiões Soviéticos dentro do Reino Unido. O mais famoso foi o caso da Melita Norwood, uma bisavó de 87 anos, nascida em Bexleyheath (Londres) que ficou conhecida como a "espiã que nasceu da Coop", marcada como a mais antiga espiã da KGB no Reino Unido.

KGB Defector Vasili Mitrokhin's Newly-Released Archive Reveals Cold War Secrets of 'Grandmother Spy' Melita Norwood's quotes, famous and not much - QuotationOf . COM

A aquisição do arquivo do Mitrokhin foi na verdade um grande golpe nos serviços de inteligência Britânicos, que acertadamente reconheceram o valor do material, que havia sido totalmente ignorado pelos Americanos. Porém as revelações se mostraram uma total vergonha para as autoridades já que a identidade dos espiões era conhecida por eles desde de 1992 (durante 7 anos), quando o arquivo foi manuseado pelas autoridades, porém nenhuma ação real foi tomada.

Os reais motivos da deserção do Mitrokhin foram assuntos de muitos debates. Ele não desertou por causa do dinheiro e nem estava sofrendo chantagem; ele também não aparentava estar gostando da sua nova vida no Ocidente. Alguns especulam que ele estava amargurado depois de ter sido rebaixado das suas obrigações operacionais para os arquivos da KGB. Porem o mais provável mesmo seja a explicação que ele mesmo deu: o comunismo Soviético foi um mal e deve ser combatido.

Ao disponibilizar o seu arquivo, a única condição que ele impôs foi que o seu trabalho deveria ser feito público como um registro para o povo Russo e como um aviso para as gerações futuras.

Filho de um decorador, Vasili Nikitich Mitrokhin nasceu em Yurasovo, área rural em Rayazan uma província Russa. Entrou para a escola de artilharia, depois frequentou a universidade no Cazaquistão, graduando em História e Direito. Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, aceitou um emprego num escritório da Procuradoria Militar na cidade de Kharkov na Ucrânia. Sendo ainda um comunista idealista, Mitrokhin entrou para a Academia de Alta Diplomacia em Moscou e, em 1948 foi recrutado pela KI (Comitê de Informação), o serviço de inteligência sobre o exterior da União Soviética que mais tarde seria absorvido na criação da KGB em 1954.

Durante o ano de 1950, ele serviu em vários operações secretas em outros países. Em 1956, por exemplo, ele acompanhou o time soviético nos jogos olímpicos na Austrália. Porém mais para o fim do ano, como castigo após cometer uma falha em uma das suas tarefas, ele foi rebaixado da frente operacional para os arquivos da KGB; onde foi informado que nunca mais trabalharia em campo novamente.

Mitrokhin, algumas vezes, data o início da sua desilusão com a União Soviética nos famosos discursos de Khrushchev para o congresso do partido comunista, onde ele denuncia os crimes de Stálin. Porém, aparentemente as suas dúvidas começaram um pouco antes. Por diversos diversos anos ele ouvia os relatórios sobre a União Soviética da BBC e da "A Voz da América", percebendo o abismo entre estes relatórios e a propaganda oficial do partido. Além disto quando ele começou a ler os arquivos da KGB, diz ter ficado completamente chocado pelo que descobriu sobre a repressão do povo Russo pela KGB. "Eu não poderia acreditar no tamanho da maldade", ele lembra. "Tudo era completamente planejado, preparado e pensado de antemão. Foi um choque terrível quando eu li aquelas coisas".

Quando, em 1972, os arquivos foram movidos de Lubyanka para Moscou, o local do novo repositório, no subúrbio da cidade, Mitrokhin viu ali a sua chance. Recebeu então a responsabilidade de checar e selar todos os 300.000 arquivos. Foi quando ele começou a fazer as cópias dos documentos, que foram traficadas do prédio dentro de seus sapatos, calças ou até mesmo dos seus casacos. Se tivesse sido pego, com certeza teria sido executado.

Mitrokhin continuou suas atividades clandestinas por 12 anos até a sua aposentadoria em 1984, quando seu chefe, Vladimir Kryuchkov, o parabenizou pelo total sucesso em transferir os arquivos e o seu "Impecável serviço para as autoridades da Segurança do Estado".
Já aposentado, Mitrokhin apenas observava e esperava uma chance de sair do país. Oportunidade que veio apenas quando a União Soviética caiu. Em 1992, ele recebeu permissão para tirar férias na Latvia. Levando consigo uma pequena amostra dos seus arquivos, ele foi diretamente à Embaixada Americana em Riga e ali pediu a sua deserção. Os oficiais da CIA na embaixada, entulhados de pedidos de asilo de Russos fugindo da quebrada União Soviética, não mostraram nenhum interesse. A principal razão foi que Mitrokhin não era um espião, apenas um bibliotecário, e os documentos escritos à mão provavelmente eram falsos.

Mitrokhin então tentou a Embaixada Britânica, que reconheceu a sua importância e fez todos os arranjos necessários para removê-lo do país. Fato que foi inicialmente dificultado pela necessidade de recuperar o restante dos arquivos, ainda enterrados debaixo da casa de Mitrokhin. O plano de recuperação acabou envolvendo seis agentes da MI6, todos vestidos como operários, que desenterraram mais ou menos seis baús, material que foi depois transportado por uma van. No dia 7 de setembro de 1992, Mitrokhin, sua família e seus arquivos chegaram ao Reino Unido.

A operação da MI6 foi tão bem sucedida, que por algum tempo, as autoridades Russas sequer sabiam o que tinha acontecido. Logo após a divulgação tentaram de maneira desajeitada desacreditar os arquivos. Por exemplo, enviando dois falsos desertores para as agências de inteligência do Ocidente, que diziam que a sucessora da KGB, a SVR, na verdade tinha iniciado uma massiva limpeza de agentes aposentados e que tinha escolhido Mitrokhin para transmitir esses relatórios para o Ocidente.

Porém, já estava bastante claro que o material Mitrokhin era valioso demais para que a SVR tenha optado por deliberadamente liberá-los e que os desertores fossem na verdade implantados pelos Russos.

A publicação do "Os Arquivos Mitrokhin" em 1999 foi seguida por outras publicações, incluindo em 2002 o "Léxico da KGB" pelo próprio Mitrokhin.

KGB Lexicon : Vasili Mitrokhin : 9780714682358

Os arquivos de Mitrokhin desencadearam algumas demissões, prisões, e vários processos ao redor do mundo, Apesar de que ainda acreditamos que existam mais ou menos de 300 agentes soviéticos apenas no Reino Unido e na América, agentes que ainda não foram totalmente identificados em público.

Hoje o trabalho de Mitrokhin é continuado pelo seu filho.

domingo, 14 de abril de 2019

Reunião do Republicano John McCain e do General Pinochet em 1986


Original:
https://file.wikileaks.org/file/mccain-pinochet-1986.pdf

"Membro do congresso John McCain numa reunião com o presidente Pinochet discutiu os perigos do Comunismo, um assunto pelo qual o Presidente parece obcecado. O Presidente descreveu também a recente história do Chile e a luta contra o Comunismo. e mostrou particular orgulho de que a ameaça Comunista foi totalmente eliminada no Chile. O Presidente também estressou que sempre estiveram sozinhos e reclamou da política exterior dos EUA que os deixou paralisados.

Del Valle, Ministro do Exterior Chileno, fez uma intervenção acalorada sobre a inabilidade dos EUA de entenderem a situação Chilena e como os EUA falharam em ajudar o Chile na luta contra a expansão Comunista.

Merino, funcionário do gabinete Chileno, comentou que as eleições de 1989 seriam livres e que a Junta Militar não apoiaria Pinochet, caso ele se candidatasse."

Original:



"Congressman John Mccain, [...] meeting with the President [Pinochet] [...] was discussing the dangers of Communism, a subject about which the President seems obsessed. The President described Chile's recent history in the fight against Communism, and displayed considerable pride in the fact that the Communist menace had been defeated in Chile. The President stressed that Chile had stood alone in this battle, and complained that United Staes foreign Policy had left them stranded."


"Congressman McCain [...] noted that Pinochet does seem obsessed with the threat of Communism. Del Valle [..] made rather heated remark about the inability of the USA to understand the Chilean situation, and our failure to support Chile in the fight against Communist expansion.

Well-known views on the importance of Chile in the battle to keep the sea lanes open, and the attempts by the Russians to gain a foot hold in the area. According to the congressman, wa Merino's statement that he and other members of the junta had recently told Pinochet that he should not expect any support from the junta if he should decide to be a candidate for presidente in 1989. Merino added that the 1989 elections would be a free and open..."


"choice between various candidates. He described the portion of the constitution calling for a single candidate plesbicite as being ridiculous and unsopportable. In response to the Congressman's question if Pinochet migh bt one of the presidential candidates in 1989, Merino stated that this would not be the case."

segunda-feira, 25 de março de 2019

Relatório ultra-secreto sobre o 31 de Março de 1964

Original:
https://stbnobrasil.com/pt/relatorio-ultra-secreto-sobre-o-31-de-marco-de-1964

Fragmento do livro:
Capítulo XX – 1963-1964 – O GOLPE: ANTES, DURANTE E DEPOIS.

Nos acervos de documentos do gabinete de Antonín Novotný, primeiro-secretário do Partido Comunista da Tchecoslováquia, existe uma análise elaborada para o Comitê Central com o título: “Motivos da vitória do golpe brasileiro e a situação atual”. Esta análise foi elaborada por um autor desconhecido, mas o fato de ter sido enviada à autoridade mais importante na Tchecoslováquia significa que foi o material com mais credibilidade na época. É certo que o autor tinha acesso tanto aos materiais da StB como a informações da embaixada e do partido comunista brasileiro. Provavelmente, foi redigi­do pelo agente Mané – Miroslav Štráfelda, correspondente da Agência de Imprensa Tchecoslovaca no Brasil, expulso do país em maio de 1964. Era comum a prática de correspondentes das mídias comunistas escreverem textos especiais destinados apenas a leitores selecionados — para a diretoria do partido, diretoria da agência de imprensa ou do jornal para o qual tra­balhavam – com informações objetivas que, obviamente, não chegavam à opinião pública. É esse também o caso de “Motivos da vitória do golpe brasileiro…”.

Antonín Novotný, Primeiro-Secretário do Partido Comunista da Tchecoslováquia de 1957/1968, e Nikita Khrushchov, Primeiro-Secretário do Partido Comunista da União Soviética de 1953/1964.

Arquivo Nacional da República Tcheca.

O documento era ultra-secreto, destinado somente à elite partidária. O estilo — quase literário — no qual foi escrito, em 9 de junho de 1964, parece confirmar a hipótese sobre o autor, assim como alguns fragmentos do material, em que o tal cor­respondente é citado de maneira sugestiva. No segundo período do texto, podemos ler as seguintes palavras dramáticas:

“Praticamente sem nenhum disparo (…), sem qualquer tipo de manifestação da vontade do povo, Goulart, juntamente com toda a esquerda brasileira, foi nocauteado em um prazo de 24 horas. Igualmente rápidos e surpreendentes foram o contra-ataque, as perseguições e a liquidação de tudo o que era, pelo menos, levemente esquerdista…”.

Entre os motivos mais importantes do desenrolar destes acontecimentos, o autor inclui:

A “Hesitação típica de Goulart e a sua incapacidade de levar as coisas até o fim”, são seguidas pela descrição da reação da imprensa “(…) Em vez de uma ordem imediata para a luta, em vez de conduzir o povo trabalhador para as ruas e convocar um levante nacional, em vez de armar os trabalhadores imediatamente, a rádio do governo, até quando ali apareceram alguns oficiais e bateram no locu­tor, transmitia somente juramentos patéticos de lealdade a Goulart, o que não ajudou em nada o confronto contra as bazucas e tanques dos oficiais”. Em vez de irem à luta, os trabalhadores jogavam bola, acreditando que Goulart resolveria tudo por eles. Na opinião do autor da análi­se, esta imprudência foi uma característica de todos — inclusive dos ativistas partidários.
Houve uma confusão entre duas atitudes diferentes. Uma coisa era o sentimento das massas — claramente esquer­dista — e outra era a verdadeira vontade e organização para a luta. Ele também culpa o partido comunista por esse equívoco, e calcula que as maiores manifestações da esquerda, em um Rio de Janeiro com 3.6 milhões de habi­tantes, reuniram no máximo 10 mil pessoas – foi o caso da manifestação de 1º de maio de 1963. Ao escrever o traba­lho, anotou com ironia que várias vezes havia visto pique­tes da esquerda em que a tribuna com os ativistas era mais numerosa do que as pessoas reunidas diante dela.

A base da falência da esquerda foi a sua falta de orga­nização. “Não se podia sequer falar em derrota, pois a derrota pressupõe uma luta, e no Brasil houve so­mente uma tomada pacífica de poder pela direita”. O regime de Goulart garantia liberdade para os dois la­dos, e a esquerda (PCB, UNE, CGT, frente parlamentar nacionalista, Ligas Camponesas e Brizola), que tinha pos­sibilidades de se organizar e tinha o apoio silencioso do governo, brigava entre si pelo posto de liderança em vez de fazer um trabalho efetivo de organização. Um exem­plo da indisciplina fundamental é nenhuma reunião par­tidária começar no horário marcado. O atraso costumava ser de duas horas: metade das pessoas já haviam saído, enquanto a outra metade estava chegando. Essa estava longe de ser a mesma capacidade de organização do Par­tido Comunista da Tchecoslováquia, que, em fevereiro de 1948, efetuou o golpe de estado com bravura.

O “deslocamento militar de forças” falhou. Goulart su­bestimou o papel dos oficiais nas forças armadas, e, atra­vés de sua atitude pouco decisiva, fez que as forças arma­das também não ficassem a seu lado de forma decisiva.

Além desses quatro pontos, o autor do relatório também fez referência às possíveis influências externas:

“No exílio, Goulart disse que as influências estrangeiras cumpriram um papel decisivo. Eu acho que essa é uma desculpa barata para ele e para a esquerda, mesmo que o tema certamente existisse. As condições externas sempre agem através das internas. Caso — assim como os informantes nos garantiam o tempo todo — uma massa de 40 milhões de brasileiros levantasse para a luta, os truques diplomáticos do exterior não serviriam de nada. Dizem que, nos dias críticos, funcionários da embaixada americana caminharam pelas ruas e ofereceram aos oficiais maços de dezenas de milhares de dólares para que passassem para o lado da reação. Talvez tenham sido feitos outros movimentos mais elaborados, sobre as quais ainda não se sabe. Mas é fato que os motivos principais devem ser procurados na situação interna”.


Carlos Lacerda na defesa do Palácio da Guanabara durante o 31 de Março.

A falta de decisão e de vontade para a luta são também descritas no seguinte fragmento:

“Enquanto o governador Lacerda construiu uma barricada em seu palácio com a ajuda de veículos para transportar lixo e com dois revólveres e uma pistola automática, permanecendo ali com a sua Secretária de Serviços Sociais, Sandra Cavalcanti, durante 52 horas, a fortaleza-chave Copacabana, leal a Goulart, foi conquistada da seguinte maneira: aproximadamente às 15 horas chegou ali, de Volkswagen, um sub-coronel, sozinho. Desceu do carro com um revólver na mão esquerda, com a direita deu um tapa no rosto do soldado que estava de guarda, entrou, entendeu-se com os oficiais e… a fortaleza caiu. Este foi um sinal para os oficiais do I Exército, para que passassem para o lado da contra-revolução”.

Na parte seguinte do relatório existe uma observação referente à estrutura do novo governo, que naquele momento ainda não estava completamente estabelecida. O autor incluiu entre os inspiradores do golpe o governador Magalhães Pinto (Minas Gerais), e não falou muito bem da polícia, que começou a perseguir a oposição de esquerda. Um acontecimento exem­plifica a incapacidade dos policiais:

Livro Em Cima da Hora, traduzido por Carlos Lacerda.

“A polícia política é composta de analfabetos políticos! Em 30 de abril foi preso Ribeiro, um vendedor de livros do Rio de Janeiro, porque tinha em sua loja um livro anti-soviético chamado: Em cima da hora, traduzido pelo próprio Lacerda. Ele foi preso porque na capa do livro havia o martelo e a foice”.

Vladimír Petrilák


Relatório sobre o Golpe Militar de 09/06/01964 (1ª folha). Arquivo Nacional da República Tcheca, nº do acervo: 1261/0/44, Partido Comunista da Tchecoslováquia – Comitê Central – Gabinete do primeiro secretário do comitê central do partido comunista da Tchecoslováquia.














quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Bela Dodd explica as trapaças Comunistas




https://www.youtube.com/watch?v=VLHNz2YMnRY

Durante aqueles anos em que fui Comunista, infelizmente, fui o tipo de pessoa que foi movida e impelida pelo movimento Comunista pois acreditei que eles estavam realmente interessados em melhorar as condições da classe trabalhadora.

Sendo uma Cristã, ainda tinha aquele resíduo do desejo Cristão de melhorar as condições e de ajudar meus companheiros, porém eu estava totalmente perdido sobre o modo correto de fazer isto.

Existe um modo correto e um modo errado de fazer isto, e o que os Comunistas estão fazendo por todo o mundo é apelando para as conscências Cristãs, para as consciências daqueles que acreditam na luz esperitual. Eles estão apelando a estas consciências e estão apontando para o mal da existência e dizendo, "olhem, é por causa do Cristianismo, é por causa da busca de vida espiritual que estas coisas existem. O que vocês precisam é de um sinal de [alívio], e nós lhe daremos isto."

"Em outras palavras, eles denigrem aquelas coisas que nos tornam fortes.

Assim, em 1932, quando me tornei uma Comunista, pude ver apenas o mal que existia, eu via aquelas filas de pessoas pobres, eu via aquelas filas de pessoas esperando por um pão, por causa da depressão. Eu vivi todos os anos da depressão. Eu era um jovem mulher vivendo na depressão e meu coração era gigante. Minha cabeça, infelizmente, não foi bem treinada, e eu falhei em entender o mal com quem me associei..."

"Ah! Existem dois aspectos da vida que os Comunistas tomam para si. O primeiro é o controle do dinheiro, o segundo é o controle das palavras, da linguagem. Eles são rápidos em tomarem para si todas as palavras bonitas, toda a linguagem do mundo Cristão. Eles tomam para si e dão novas conotações, de modo que quando eles falando ao mundo, a conotação Comunista é compreendida pelos seus seguidores, já para os ouvidos comuns soa como as belas coisas que nós deveríamos estar falando."

"Em 1944 ocorreu a convenção nacional do Partido Comunista, quando fui eleita publicamente pelo Comitê Nacional nos Jardins do Madison Square. Durante aquela convenção, haviam várias pessoas que vieram de todas as partes dos Estados Unidos. Num dos eventos sociais que participei, um jantar dado pelo Alexander Trachtenberg, um conhecido socialista, graduado em Yale, milionário, que era o chefe das empresas relacionadas a impreensa dos Comunistas. Alexander Trachtenberg comeu e bebeu com toda a elite intelectual do Partido naquela noite."

"Quem tínhamos lá, naquela noite? Tínhamos homens e mulheres que faziam parte da "Câmara dos Deputados Estaduais", mais de 100 homens e mulheres que eram membros da Câmara de diversos Estados, desde Washington até Nova Iorque. Eles não foram eleitos pelo Partido Comunista, eles foram eleito como Republicanos, como Democratas, utilizando a bandeira do Partido Trabalhista-Agricultor, do Partido Trabalhista. Ou seja, eram todos eleitos por outros partidos, sob outras bandeiras, mas eram todos [fiéis] Comunistas."

"Nós tínhamos professores lá, tínhamos também economistas, e na noite que Trachtenberg palestrou; eu gostaria de compartilhar aqui com vocês uma das suas mélhores "pérolas" daquela noite. Pois ela é muito importante, vocês já a conhecem, mas gostaria de reforça-la em vocês, ele disse."

"Trachtenberg: Quando nós tomarmos os Estados Unidos, não o tomaremos sob o nome de Comunismo; não o tomaremos sob o nome de Socialismo. Estes nomes são extremamente desagradáveis para o povo Americano, e já foram completamente destruídos. Nós tomaremos os Estados Unidos utilizando os nomes que nós mesmo tornamos amáveis; nós tomaremos utilizando os nomes de liberalismo, progressismo e democracia. Não importa qual, porém que nós venceremos."

"Eu digo isto para vocês não porque queira sujar as palavras "liberalismo" ou "progressismo" ou até mesmo "democracia". Estas são palavras inteiramenta aceitáveis em si mesmo, se você sabe quais são seus significados reais. Porém, os Comunistas as usam  para esconder a concepção Marxista da vida. E são estes usos que vocês devem se preocupar. Devem se preocupar quando tentam lhe vender estes significados. Nós tendemos a aceitar estes nomes e dar a eles os significados que nós queremos. A palavra "paz", por exemplo, para os Comunistas significa nada além da vitória do Socialismo."

"Deixa me explicar para vocês como a conspiração Comunista age sob diversos nomes. Quando entrei para o Partido Comunista, pensei que o movimento era uma coisa monolítica, como por exemplo, um comitê de uma cidade, um comitê local, ou até mesmo um comitê nacional, eu realmente achei que era assim. Porém tive que aprender pelo modo mais difícil que o movimento Comunista e a sua conspiração opera através de várias organizações diferentes, todas utilizando nomes diferentes. Desde de que a teoria Comunista, de chegar onde é desejado através do conflito, esteja progredindo. O importante é criar conflitos."

"Eles vão constantemente criar uma organização com o único propósito de gerar conflitos. Se conflitos não surgem naturalmente, eles irão gerar o conflito, e gerar de certo modo que force a opinião pública a crer que a única solução possível é ir mais para a esquerda, em direção ao Comunismo. Assim, quando estava no Sindicato dos Professores tínhamos Comunistas, tínhamos Socialistas, tínhamos todos os tipos de subdivisões possíveis, e pensei "nossa! como este povo vive brigando entre si". Alguns dias eles estavam brigavam entre si, noutros já estavam se abraçando, porém sempre achei que eles eram genuinamente movimentos separados."

"Meio do que do nada, já nos meus últimos dias no Partido, percebi que na verdade estes movimentos separados eram todos controlados a partir de um centro, eles eram atiçados por este mesmo centro, quando queriam criar algum conflito e confusão. Eles nunca criam conflitos e confusões de modo que a saída seja à direita, eles sempre vão criar o conflito de modo que o movimento mais a esquerda seja a oposição e que todo mundo seja forçado a ir mais para a esquerda."

"Eles sempre controlam ambos os lados, porém sempre dirão que estão lutando contra o Fascismo, "somos contra o Fascismo!", eles gritam. Somos Comunistas mas somos contra o Fascismo. Assim as idéias dadas como soluções irão sempre cair no colo deles. Eles sempre lhe dão narrativas falsas."

 "Ah... Quando entrei para o Partido Comunista, esta é outra coisa que devem se lembrar, um monte de gente me perguntou "onde está, então, a sua carteirinha de membro?". Eles acham que a carteirinha é uma coisa importante. Meu queridos amigos, é melhor pararem de pensar desta maneira. Se uma pessoa age como um pato, se ele nada como um pato e se grasna como um pato, então ele é um pato!"

"Não percam tempo procurando a carteirinha do partido. Ah... Eu nunca tive uma carteirinha do partido, por uma razão muito simples, eu era extremamente valiosa para o Partido Comunista. Eu era uma professora, estava dentro da Universidade, eu me movia facilmente entre os professores, entre os pais dos alunos, sem a carteirinha eu podia tranquilamente dizer que não era do Partido Comunista. Porém, eu lembro que dos líderes do Partido Comunista: alguns eu mesmo direcionei, para alguns eu me reportei, e de alguns eu recebi instruções de como continuar minhas operações."

"No décadas de 1920 e 1930, eu pessoalmente coloquei mais de 1100 homens dentro do clero para enfraquecer a Igreja Católica desde de dentro. A idéia era que estes homens seriam ordenados e progrediriam a posições de influência e autoridade como Monsenhores e Bispos... Agora mesmo eles estão nas mais altas posições, de onde trabalham diariamente para mudar e enfraquecer a efetividade da Igreja Católica contra o Comunismo. Estas mudanças serão tão drásticas que vocês não mais reconhecerão a Igreja Católica. De todas as religiões, a Igreja Católica era a mais temida pelos Comunistas, pois era o seu mais efetivo oponente..."

"A idéia era destruir, não a instituição da Igreja, mas sim a fé do povo, e ainda por cima usar a instituição da Igreja para, se possível, promover uma pseudo-religião. Alguma mescla que lembre um Catolicismo, mas não é o Catolicismo real. Assim que a fé fosse totalmente destruída, uma crise de culpa seria introduzida na Igreja... um dos passos seria colar a pecha que a "Igreja do passado" era opressora, autoritária, cheia de preconceitos, totalmente arrogante em proclamar que era a única dona da verdade, e ainda por cima era a responsável pela divião dos corpos religiosos ao longo dos séculos. Isto necessariamente seria utilizado para envergonhar os líderes da igreja e força-los a "abrir-se ao mundo" e ter uma atitude mais flexível em relação as outras religiões e filosofias. Os Comunistas iriam então explorar esta abertura para abalar a Igreja."

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Ancelmo Gois, União Soviética e a ditadura militar brasileira

original: https://cultura.estadao.com.br/blogs/estado-da-arte/ancelmo-gois-uniao-sovietica-e-a-ditadura-militar-brasileira/

Ancelmo Gois, União Soviética e a ditadura militar brasileira

por Astier Basílio

Qual foi o papel da União Soviética durante a ditadura militar no Brasil?
14 Fevereiro 2019




Espera-se de um órgão da República equilíbrio, sobretudo na emissão de notas oficiais. A retórica inflamada e beligerante faz parte da campanha, pertence ao espaço do palanque. Em democracias, responder a um questionamento não pode suscitar ataques à biografia do jornalista. Não custa lembrar o óbvio. O Ministro da Educação gere dinheiro de impostos que são arrecadados não apenas das pessoas que votaram em Bolsonaro, mas de quem sufragou os demais candidatos e inclusive daqueles que anularam o voto ou nem compareceram às urnas.

Isto posto, vamos ao exame dos fatos. Não é delírio persecutório, nem teoria da conspiração, afirmar que Ancelmo Gois foi à União Soviética e sob os auspícios do serviço secreto, a KGB, obteve documentação falsa com a qual viajou e que ao chegar em Moscou, veio a estudar “marxismo e leninismo”, na escola de formação de jovens quadros do Partido Comunista. Foi Ancelmo quem contou em detalhes sua ida à Rússia, em 1968. A entrevista, concedida há dez anos, está disponível no site da Associação Brasileira de Imprensa para qualquer um ver [https://amizadedasnacoes.blogspot.com/2019/01/ancelmo-gois-e-kbg.html]

A revista Fórum forneceu a leitura emblemática que a esquerda fez do episódio ao dizer que a nota “viralizou pelo ridículo” e se referiu a “supostas relações do jornalista com a União Soviética e o serviço secreto comunista”.

Não é delírio persecutório, nem teoria da conspiração afirmar, que Ancelmo Gois foi à União Soviética

Em entrevista à versão brasileira do jornal El País, o professor Carlos Fico, do departamento de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) faz uma constatação: “Não há praticamente nada de pesquisa sobre a União Soviética nesse período”. A enxurrada de memes e piadas são um duro reflexo desta ignorância. [ https://brasil.elpais.com/brasil/2018/06/04/politica/1528124118_758636.html ]

O treinamento do futuro tradutor de Dostoiévski


Ancelmo não foi o único jovem esquerdista a receber treinamento doutrinário na União Soviética. Dentre os relatos conhecidos, destaca-se o do paraibano Paulo Bezerra, célebre por seu trabalho de tradução das obras de Dostoiévski. Quando viajou, outros nove brasileiros o acompanhavam com o igual propósito. Era Bezerra o único operário do grupo.

A aventura aconteceu em finais de 1963. Apesar de sua ida ter ocorrido antes do golpe, é interessante observar a estratégia discursiva empregada pelo tradutor ao narrar sua história. Metalúrgico de uma montadora de automóveis no ABC, Bezerra ingressou no meio sindical e filiou-se ao Partido Comunista. Em entrevista à Folha de São Paulo, em 30 de dezembro de 2015, Rodolfo Viana escreveu que Bezerra “pela filiação, acabava demitido de todas as fábricas. Chegou a ser preso em 1962, durante uma greve. Foi liberado horas depois, mas não conseguia mais emprego”.

A história havia sido contada antes ao jornal Gazeta Russa, em 2012, com um detalhe interessante. Na ocasião, Bezerra disse haver em sua ficha a inscrição do termo “agitador”. Quem lê as entrevistas e matérias, é levado a crer que a ida à União Soviética, para fazer o curso de formação política, foi a única maneira de escapar ao insuportável clima de perseguição existente.

Ao se referir a estes episódios de sua vida, Bezerra, entretanto, jamais cita o nome de João Goulart, que à época de sua viagem, era o presidente da República. Entretanto, o tradutor usa um interessantíssimo truque retórico. Após narrar as dificuldades enfrentadas antes de sua ida a URSS em seguida conta sempre a mesma piada. “Acho que o Castello Branco soube que eu estava lá e resolveu dar o golpe para me beneficiar”.

Com este jogo subliminar, estabelece-se uma relação direta entre a atmosfera opressora de perseguição aos sindicalistas e a fuga por meio da viagem à URSS. Assim, a viagem de um filiado do Partido Comunista, havida meses antes do golpe, se transforma em exílio e o propalado clima de perseguição sindical, despersonalizado, ganha um rosto: o de Castello Branco.

Esta estratégia narrativa corrobora o esforço da esquerda em reescrever suas ligações com Jango, o que desvela a tentativa de consolidação o mito da luta armada como guardiã da democracia. Quem se der ao trabalho de pesquisar nas fotos antigas, em nenhuma das passeatas contra a ditadura ergueram-se faixas a pedir a volta do presidente deposto. Quando o então jovem guerrilheiro Franklin Martins, após sequestrar o embaixador americano, exigiu que um manifesto seu fosse lido em rádio e televisão (além de publicado nos principais jornais do País), a palavra democracia não apareceu nem uma única vez no texto. Tampouco o nome de João Goulart.

Charles Elbrick foi o primeiro de quatro sequestros feitos pelos diferentes grupos de esquerda entre 1969 e 1971. Como resultado das ações 140 presos foram libertos. Em nenhum momento a esquerda lembrou-se que João Goulart estava exilado no Uruguai. Seu nome não apareceu em nenhuma lista, sua volta não foi exigida, nem que fosse um gesto de se marcar uma posição política. O “volta Jango” só veio existir décadas depois dele morto, como desdobramento da reescritura do passado da luta armada. O ápice desta pantomima, se deu com a devolução simbólica do mandato de João Goulart pela ex-guerrilheira Dilma Rousseff em 2014.

No longínquo ano de 1982, é possível observar, sem filtros, como o legado de Goulart era visto pela esquerda. Lula disputava sua primeira eleição, como candidato ao governo de São Paulo. Em entrevista à Folha de São Paulo, em 5 de setembro, o candidato foi às cargas contra Jango: “a gente apanhava nas greves em 1963, aqui em São Paulo, eu com 17 anos”. O repórter da Folha, então, diz que não se lembrar daquilo. Lula ratifica: “Aqui, em 1963, eu cansei de tomar corrida da polícia, da cavalaria aqui”.

Ditadura não rompeu relações com URSS


As relações diplomáticas entre o Brasil e a União Soviética foram reatadas no governo de João Goulart. Quando os militares deram o golpe de estado, o Itamaraty não rompeu com Kremlin ao contrário do que aconteceu com outros países socialistas como China e Cuba.

Sob as bênçãos do curto mandato de Goulart, os soviéticos gozaram de liberdade e ensaiaram aproximação com o Brasil. É o que diz o historiador Rodrigo Patto Sá Motta¹, ao referir-se ao restabelecimento dos laços com Rússia. “Com a recém conquistada liberdade de movimentos, a URSS implantou programas para facilitar o aprendizado da língua russa, principalmente através dos Institutos Culturais Brasil-URSS (ICBUS). Além disso, firmaram-se convênios para envio de estudantes brasileiros à União Soviética”.

Patto Sá Motta faz uma ressalva e toca num ponto importante. Para além do acordo formal havia um intercâmbio que ocorria no subterrâneo. “Clandestinamente, a URSS recebia brasileiros para treinamento desde os anos de 1920, mas tratava-se de militantes selecionados pelo PCB”.

Moscou e Havana em lados opostos


Por mais que se tenha consolidado no imaginário a ideia de que a ditadura militar brasileira era subserviente às vontades dos Estados Unidos, as relações dos presidentes militares com a União Soviética, se por um lado eram tímidas em 1964, vieram a se ampliar nos anos 1970. A avaliação é feita por Graciela Zubelzú de Bacigalupo, professora Teoria das Relações Internacionais na Universidade Nacional de Rosário, na Argentina.

Em seu artigo “As relações russo-brasileiras no pós-Guerra Fria”, Zubelzú sublinha que a política externa brasileira da época tornou-se mais pragmática e passou a reconhecer “o peso da URSS no cenário internacional e as possibilidades de uma aproximação econômica de Moscou. Firmam-se um convênio de cooperação em 1970 e outro de navegação marítima em 1972, enquanto aumentam as relações comerciais e o Brasil inicia suas importações de petróleo da URSS. Em março de 1975 é assinado um convênio comercial e o intercâmbio total entre os países alcança 440 milhões de dólares em 1976”.

Talvez esteja aqui uma possível chave para se entender a posição contrária da União Soviética em relação aos anseios de Cuba de exportar a revolução ao Brasil, bem como à toda América Latina. É uma contradição que, também, reverbera no seio da própria ditadura militar, no tocante às tratativas com Moscou e os demais países socialistas.

É o que flagra o já citado Patto Sá ao argumentar: “o governo Castelo Branco queria conter a influência dos países e das ideias socialistas no Brasil, mas não desejava romper relações diplomáticas com a Europa do leste. Isso gerou uma situação curiosa, e desagradável para os setores mais intransigentes da direita: as atividades culturais dos soviéticos eram monitoradas, mas não inteiramente proibidas”.

A guerrilha existiu antes golpe


Denise Rollemberg em seu livro “O apoio de Cuba à luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro” (Rio de Janeiro: Mauad, 2001) desmonta um dos pontos centrais da narrativa de esquerda armada: a de que guerrilha só existiu por não haver outro meio de luta, sendo, portanto, uma reação à ditadura militar.

“A relação das Ligas com Cuba evidencia a definição de uma parte da esquerda pela luta armada no Brasil, em pleno governo democrático, bem antes da implantação da ditadura civil-militar”, assevera a escritora.

A discordância da União Soviética com a implantação por Cuba dos focos de guerrilha pela América Latina pode ser emblematizada no encontro, ocorrido em Havana, em 1963 – ainda sob a vigência do governo de João Goulart, repita-se – entre Francisco Julião e Luís Carlos Prestes, este Secretário Geral do Partido Comunista, aquele representante das Ligas Camponesas.

Detalhes da reunião podem ser encontrados no site “Os Arquivos da Ditadura”, mantido pelo jornalista Elio Gaspari, autor de uma soberba pentalogia sobre os anos de chumbo. Quem relatou o encontro foi o encarregado de negócios da embaixada do Brasil em Havana, José Maria Diniz Ruiz de Gamboa.

As opiniões de Prestes e Julião eram divergentes. “Julião sustentava que, no Brasil, existiam ‘condições necessárias para uma revolução’. Prestes mostrava-se cauteloso e “afirmava aos líderes cubanos que seria ‘criminoso’ optar pela luta armada no Brasil, nos moldes da Revolução Cubana de 1959”.

Ambiguidade da Rússia


Em 2007, veio a público um documento da CIA² elaborado em 1963 cujo título era: “A Batalha Sino-Soviética em Cuba e o Movimento Comunista Latino-Americano”, no qual se escancaram as divergências entre Fidel Castro e Nikita Khrushchov quanto uma revolução no Brasil.

No documento se reportava: “Existem provas de que alguns soviéticos avaliam que a violenta retórica de Castro, ainda que útil no sentido de unir militantes jovens de esquerda, tende a afugentar outras forças da pequena burguesia e da burguesia nacional que poderiam ser seduzidas a aderir ao Partido Comunista local”, afirma o documento.

Apesar da posição contrária dos dirigentes soviéticos, Cuba treinou em torno de 200 militantes brasileiros. Para Denise Rollemberg “(…) a própria URSS, evidentemente, sempre esteve a par do fluxo mantido nos anos posteriores de militantes indo a Cuba treinar. As rotas de entrada e saída do país, por exemplo, passavam por Moscou e Praga, onde os guerrilheiros eram recebidos e orientados”.

Brasil nos arquivos soviéticos


Em maio de 1964, o diplomata tchecoslovaco Zdenek Kvita, que ocupava no Brasil o segundo posto na embaixada de seu país, foi preso por agentes do DOPS carioca, “quando tentava obter documentos secretos de suposto informante, na verdade agente policial. O agente da polícia estava fingindo vender a Kvita informações secretas, como a planta da Refinaria Duque de Caxias e os planos brasileiros para monitorar Embaixadas dos países socialistas”.

A informação está nos arquivos da CIA, recolhidos pelo historiador Rodrigo Patto Sá Motta. Este personagem, Zdenek Kvita, é citado no site “STB, o Brasil nos Arquivos Soviéticos”, como o primeiro integrante da polícia secreta a manter contato com seus colegas cubanos.

O portal disponibiliza documentos, reproduz artigos da presença do serviço secreto da Tchecoslováquia no Brasil de 1945 a 1990. O trabalho redundou no livro “1964, O Elo Perdido – O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista” (Vide Editorial, 2017), do brasileiro Mauro Kraenski e do polonês Vladimir Petrilák.

O serviço tcheco era a verdadeira KGB no Brasil


Em resenha ao livro, João César de Melo observa que a StB atuava livremente no Brasil pois a Tchecoslováquia não era vista como inimiga, “o que dava liberdade para seus agentes circularem, se relacionarem com brasileiros e obterem informações sem despertar suspeitas. O resultado foi a infiltração de dezenas de agentes tchecos que recrutaram centenas de brasileiros a partir de 1952. Tudo, absolutamente tudo, registrado metodicamente. Em outras palavras: a StB era, de fato, a KGB no Brasil, dado que todas as diretrizes da agência tcheca eram definidas em Moscou”.

Apoio à ditadura brasileira em ações antiamericanas


O escritor e ativista Vladimir Bukovsky, hoje com 76 anos, antigo dissidente do regime comunista, conseguiu reunir e disponibilizar em sua página na internet um dos maiores acervos com documentos referentes ao regime soviético.

Parte expressiva deste material está traduzido para o inglês. As referências ao Brasil são poucas, mas significativas. A mais importante delas é uma circular, de 9 de setembro de 1966, cujo título é: “sobre o crescimento da propaganda anti-soviética nos Estados Unidos e na América Latina”.

Num trecho do documento se diz: “(…) é necessário apoiar passos antiamericanos tomados independente dos governos latino americanos (incluindo entre os quais Brasil e Argentina) em relação a certas questões, sem exagerar tais atos, pois eles podem ser antiimperialistas apenas na forma”. Por aquele período o Brasil era governado pelo primeiro presidente da ditadura militar, o marechal Castello Branco. A Argentina também. No poder estava Juan Carlos Onganía após um golpe de estado.

Fundo para organizações de esquerda


Em 1969, o Partido Comunista do Brasil aparece num documento do Politburo, numa lista de envio de dinheiro, para criação de um “Fundo Internacional para ajudar Organizações de Trabalhadores de Esquerda”. Dos 15 primeiros destinatários da verba, o Brasil figurou na oitava colocação, com a quantia de 200 mil dólares.

Há pedidos de treinamento, com todas as despesas pagas pelo fundo do Partido Comunista Russo, para militantes brasileiros. Quem assinou as solicitações foi Luís Carlos Prestes. Em 1974, recepção e despesas para um curso de três meses, ao camarada Leonardo Leal, quadro do Partido,que fez parte das Ligas Camponesas, na Paraíba. Em 1978, curso de treinamento em atividades clandestinas para Marcelo Santos, membro do Comitê Executivo do Partido Comunista do Brasil.

Silêncio da academia sobre a União Soviética


Quem pesquisa a ditadura militar brasileira, lê as dissertações de mestrado, as teses de doutorado, vê os documentários e filmes de ficção, estuda na bibliografia sobre o período, sai com a impressão de que a Guerra Fria, ao menos no Brasil, não veio acabar em 1991, com a desintegração da União Soviética, mas em 1964, quando do golpe militar. Como se, sem mais nem menos, a maior potência socialista do planeta abandonasse o maior país da América Latina para usufruto de seu rival, os Estados Unidos, cujos passos, ações e estratégias, realizadas ou não, foram incansavelmente mapeados, ao contrário das pegadas da Rússia por aqui. O conhecimento histórico do período, bem como das intrincadas relações políticas dos atores que fizeram parte do jogo político à época, nada tem de conspiratório ou amalucado.

(1) http://www.ufjf.br/locus/files/2010/02/131.pdf
(2) https://www.cia.gov/library/readingroom/docs/esau-22.pdf

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Ancelmo Góis e a KGB

Jornalista Ancelmo Góis e a KBG



Entrevista — Ancelmo Gois



ABI Online — Como era sua vida na Rússia?
Ancelmo — Eu vivi por algum tempo com o nome falso de Ivan Nogueira. Porque estávamos na ditadura militar e a gente só conseguia ir para a Rússia, protegido pela KGB. Foi este órgão que me deu uma identidade falsa, com retrato, e me transformou numa outra pessoa. Em seguida, eu fui para uma escola comunista para jovens, a Escola de Formação de Jovens Quadros, Konsomol, do Partido Comunista da União Soviética, onde eu estudei sobre o marxismo e o leninismo.

ABI Online — Quando foi que você voltou ao Brasil?
Ancelmo — Em 1970, eu voltei para o Brasil e vim para o Rio de Janeiro. Eu entrei no País pela Argentina, e a KGB inventou que eu estava na França. Toda a minha documentação sobre dia e horário da minha entrada naquele país foi falsificada, o que fazia parecer que eu tinha morado na França e não na União Soviética.

Comunicado do MEC


A imagem pode conter: texto

Ao contrário do que quer fazer crer o colunista, ludibriando dessa forma os leitores do jornal "O Globo", durante a sua vida como docente, o Ministro da Educação sempre ensinou e defendeu a pluralidade e o debate de idéias, recusando-se a adotar métodos de manipulação da informação, desaparecimento de pessoas e de objetos, que eram próprios de organizações como a KGB, o serviço secreto do governo comunista na antiga União Soviética, que na década de 1960, quando de sua fuga do Brasil para a Rússia, protegeu e forneceu identidade falsa para o colunista de "O Globo", na época, segundo ele próprio declarou em entrevista ao site da Associação Brasileira de Imprensa em 2009. Ancelmo Góis foi treinado em Marxismo e Leninismo na Escola de Formação de Jovens Quadros do Partido Comunista Soviético.

sábado, 19 de janeiro de 2019

A complexa rede de espionagem chinesa no exterior

A complexa rede de espionagem chinesa no exterior
Por Heng He



Em uma coletiva de imprensa realizada em 20 de dezembro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) anunciou o indiciamento de dois hackers provenientes da China comunista. Segundo o DOJ, eles são membros da unidade de pirataria APT10, que está sob a órbita do Ministério de Segurança do Estado (MSE) do regime chinês.

O MSE é a única agência oficial de inteligência da China, e é relativamente novo, dada a longa história da espionagem comunista chinesa. Foi criada em 1983 através da fusão do antigo Departamento de Segurança Política do Ministério da Segurança Pública (MSP, força policial chinesa), o Departamento de Investigação ou Departamento Central de Investigação (DCI) e outras agências de inteligência.

Após a criação do MSE, o Departamento de Segurança Política do MSP enfrentou uma considerável escassez de pessoal e de fundos até depois do massacre da Praça Tiananmen em 1989, quando começou a ressurgir gradualmente.

As coisas mudaram quando o PCC lançou sua perseguição à disciplina espiritual Falun Dafa, também conhecida como Falun Gong, em 1999.

O Departamento de Segurança Política foi renomeado para Bureau de Segurança Interna (BSI), abreviado como Guobao em chinês. Após a rápida expansão, o Guobao tornou-se conhecido por seu papel na perseguição não apenas dos praticantes do Falun Dafa, mas também de todos os tipos de dissidentes e crenças religiosas na China.


O MSE e o MSP executam diferentes funções em conjunto. Operações em países estrangeiros são de responsabilidade do MSE, enquanto o BSI realiza atividades semelhantes, mas dentro das fronteiras da China.

O MSE e os Estados Unidos

Em 1985, dois anos após o estabelecimento do MSE, o ex-secretário ministerial Yu Qiangsheng desertou e foi para os Estados Unidos. A informação que ele forneceu resultou na prisão e no suicídio do importante espião chinês Larry Wu-Tai Chin.

Yu Qiangsheng era irmão mais velho de Yu Zhengsheng, ex-membro do Comitê Permanente do Politburo e o quarto homem de maior poder do Partido Comunista entre 2012 e 2018.

Desde essa deserção, o MSE parece estar em paz com os americanos; pelo menos, não houve divulgação de mais escândalos, isto é, até agora. O Departamento de Justiça processou o espião chinês Ji Chaoqun, seu supervisor Xu Yanjun — que foi extraditado da Bélgica — e vários outros agentes. O MSE voltou a ser o centro das atenções do público.

Os réus nesses três casos eram do Departamento de Segurança do Estado da província chinesa de Jiangsu (DSEJ), braço regional do MSE. Todos eles tinham como alvo os departamentos e fornecedores relacionados à tecnologia de aviação americana.

Os três casos demonstram como os vários departamentos de inteligência do Partido cooperam de maneiras diferentes para alcançar o mesmo objetivo. Roubar tecnologia de aviação americana é claramente a principal tarefa da filial de Jiangsu. O DSEJ utilizou uma variedade de métodos para realizar suas tarefas, incluindo práticas tradicionais de espionagem, como a implantação de agentes secretos, o recrutamento de especialistas para a aquisição direta de informações confidenciais e a pirataria informática (hacking).

Cabe destacar que os três homens presos eram espiões enviados ao exterior pelos departamentos de inteligência regionais da China, o que mostra que não apenas o MSE em nível nacional está envolvido com espionagem no exterior.

Espionagem militar


Em 2014, os Estados Unidos processaram cinco hackers militares chineses pertencentes à APT1, grupo de hackers classificado como número um em “ameaças avançadas persistentes” (APT, na sigla em inglês), um ataque furtivo contra redes de computadores em que um pessoa ou grupo obtém acesso não autorizado a uma rede e permanece lá sem ser detectado.

Aqui, a força da inteligência militar do Partido Comunista, cujas raízes remontam aos dias em que o Exército Vermelho do PCC lutou na guerra civil, é significativa. Antes da reforma do aparato militar, ela era composta principalmente pelos segundo e terceiro departamentos do Departamento do Estado-Maior (DEM) do Exército Popular de Libertação (EPL). O Segundo Departamento do DEM é responsável pela espionagem tradicional; depois das reformas militares, tornou-se o Bureau de Inteligência do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central.

Os cinco hackers processados pelo judiciário dos Estados Unidos pertenciam ao antigo Segundo Bureau do Terceiro Departamento do DEM em Xangai. Após as reformas, o Terceiro Departamento (Investigação Técnica) e o Quarto Departamento (Divisão de Radar de Contra Medidas Eletrônicas) foram combinados e convertidos no Departamento de Sistemas de Rede da Força de Apoio Estratégico do Exército Popular de Libertação. O departamento reformado é responsável pela guerra cibernética e pela coleta de informações confidenciais.

A inteligência militar chinesa também tem seu Departamento de Inteligência do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central.

Criação de uma infraestrutura de espionagem para facilitar a perseguição

O PCC tem algumas agências de inteligência não tradicionais que também estão envolvidas em tarefas de espionagem. Por exemplo, as autoridades de segurança pública originalmente se concentravam na repressão dentro da China. No entanto, após o início da perseguição ao Falun Dafa em 1999, pelo menos nove departamentos de segurança pública provinciais e municipais foram autorizados a despachar agentes para outros países com a finalidade de coletar informações sobre o Falun Dafa.

Outra organização relacionada à campanha de perseguição contra o Falun Dafa que coleta informações para o PCC é o Escritório 610.


Em 7 de junho de 1999, o então secretário geral do PCC, Jiang Zemin, disse na reunião do Politburo que o Partido estabeleceria um Grupo Líder Central para Lidar com o Falun Gong. Informalmente, esta organização é conhecida como o Escritório 610, devido à data de sua criação, em 10 de junho de 1999.

Embora o Escritório 610, que opera fora do alcance da lei chinesa, seja famoso por seu papel na perseguição aos praticantes do Falun Dafa, seu alcance global ainda não é bem conhecido. Poucos sabem que, ao estabelecer canais em todo o mundo para monitorar os praticantes do Falun Dafa, o Escritório 610 estabeleceu uma extensa rede de espionagem no exterior.

Antes dos Jogos Olímpicos de Pequim, o jornalista investigativo francês Roger Faligot publicou um livro intitulado: “O serviço secreto chinês, de Mao aos Jogos Olímpicos”. O autor entrevistou especialistas de vários países, desertores chineses e agências de contrainteligência no exterior. O livro descreve especificamente como sob Luo Gan, ex-secretário linha-dura da Comissão Central de Assuntos Políticos e Legais (CAPL ou Zhengfawei, uma das organizações mais poderosas do PCC) e diretor do Escritório 610, espiões foram enviados pelo Escritório 610 ao mundo inteiro para lutar contra os chamados “cinco venenos”: a independência de Taiwan, o ativismo do Tibete e de Xinjiang, o Falun Dafa e o movimento democrático chinês.

A agência alemã de contra-espionagem também descobriu que o Escritório 610 recrutou espiões para monitorar as atividades dos praticantes do Falun Dafa na Alemanha. Embora o Escritório 610 tenha o objetivo específico de atacar dissidentes chineses, os recursos que acumulou podem ser usados para outras atividades de inteligência.

Frente Unida de “espionagem em massa”

Outra organização que desempenha funções de espionagem é a Frente Unida do PCC. Diferentemente de agências de inteligência profissional como o MSE e os departamentos de inteligência do EPL, a Frente Unida usa agentes amadores ou não profissionais para reunir informações e conduzir operações, um tipo de inteligência através de movimentos de massa que cobre um amplo espectro.

O principal método de trabalho da Frente Unida é identificar alvos específicos e construir relacionamentos. Quando eles se tornam amigos do alvo, este pode ser cooptado para representar os interesses políticos do PCC. O alvo também pode se tornar um canal para espiões profissionais coletarem informações ou fornecer informações diretamente através da Frente Unida.

As atividades da Frente Unida abrangem um escopo tão amplo que sua missão é relativamente imprecisa. Sua tarefa geral é formar relacionamentos para interferir nos assuntos internos de outro país, manipulando pessoas e instituições na política local, no comércio, nas universidades, etc. Ela assume as características de um movimento das massas, usando muitas operações informais e pouco vinculadas entre si. Isso dificulta que as agências de contrainteligência lidem com a ameaça representada pelas atividades da Frente Unida.

No centro dessas operações está o Departamento de Trabalho da Frente Unida do Comitê Central do PCC (DTFU), que alguns especialistas ocidentais consideram uma agência de inteligência típica. Algumas organizações ligadas à Frente Unida, como o Programa Mil Talentos, ajudam a roubar a propriedade intelectual de empresas dos Estados Unidos ao recrutar cientistas e outras pessoas valiosas para trabalhar na China.

Por exemplo, Hongjin Tan, que foi preso em Oklahoma em 20 de dezembro, provavelmente pertence a essa categoria. “Hongjin Tan supostamente roubou segredos comerciais no valor de mais de um bilhão de dólares correspondentes a um produto de seu empregador, uma petrolífera com sede nos Estados Unidos, para usá-los em benefício de uma empresa chinesa que lhe ofereceu emprego”, declarou o procurador-geral adjunto Demers.

Outro caso típico é o de Yang Chunlai, ex-presidente da Associação de Cientistas e Engenheiros Chineses (ACIC). A ACIC foi fundada em Chicago em 1992 e tem membros em mais de 20 estados nos Estados Unidos. No final de maio de 2006, Yang participou do “Terceiro Ano do Workshop de Estudo para Jovens Chineses e de Meia-Idade Responsáveis pelas Associações Chinesas no Exterior”, organizado em Pequim pelo Escritório de Assuntos Chineses no Exterior do Conselho de Estado (OACE).

O OACE é um ramo da Frente Unida que opera dentro do Conselho de Estado da China. Na reforma institucional de 2018, foi transferida abertamente para a DTFU. Em 2007, Yang falou na 4ª Conferência da Associação Mundial de Chineses no Exterior, realizada pela OACE, dizendo que “não é necessário voltar à China para servir ao país”.

“Agora temos 1.500 membros registrados e cerca de um terço deles são cidadãos americanos. Através de relacionamentos entre amigos e familiares, estimamos que podemos influenciar 5.000 votos”. O próprio Yang também foi membro do Comitê Consultivo de Especialistas no Estrangeiros da OACE, o que indica sua conexão com o trabalho da Frente Unida.

Em 1º de julho de 2011, Yang foi preso pelo FBI quando já havia comprado uma passagem de avião para a China programada para uma semana depois. Ele se declarou culpado de roubar segredos comerciais da Bolsa Mercantil de Chicago (CME, na sigla em inglês), onde trabalhou por onze anos. Ele planejava compartilhar as informações com a empresa chinesa Zhangjiakou Chemical and Electronic Commodity Exchange.

Inicialmente, estimou-se que seu roubo havia resultado em uma perda de 50 milhões de dólares para o CME. No final, o juiz concedeu um veredito mais brando com base no fato de que a perda inicial estimada era muito alta, e também por causa das contribuições de longa data de Yang para a comunidade, incluindo a comunidade chinesa.

Embora, na verdade, como representante da Frente Unida, o propósito de Yang em servir a comunidade chinesa fosse apenas para espionar e obter vantagens políticas para o Partido Comunista Chinês.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

A Indústria Universal da Mentira

original aqui:

A INDÚSTRIA UNIVERSAL DA MENTIRA (1)

Olavo de Carvalho

Uma das especialidades marcantes do discurso revolucionário sempre foi a criação de estereótipos e lendas urbanas que, pela repetição constante e ubíqua, se impregnam na imaginação popular e a povoam de falsas memórias. Desde as ondas de pavor e violência suscitadas nas pequenas cidades da França revolucionária pelos sucessivos anúncios de iminentes invasões de forças monarquistas que nem sequer existiam, até o mito da tomada de Havana pelos guerrilheiros de Fidel Castro, que nada mais fizeram senão marchar com total segurança por uma cidade já abandonada pelas tropas de Batista, a glória das revoluções é uma sucessão de mentiras tolas que se perpetuam pela repetição mecânica, como cacoetes.

No Brasil a mais célebre e duradoura dessas mentiras foi a da participação da CIA no golpe de 1964, até hoje não abonada pela divulgação de um único nome de agente dessa entidade lotado no Brasil na época.

O observador convencional pode imaginar que, com a queda do Estado soviético em 1991, a máquina de espalhar falsidades parou de funcionar e está enferrujada em algum depósito de tristes recordações ao lado das estátuas caídas de Lênin e de Stalin. Mas o movimento comunista internacional, que antecedeu de sete décadas o comunismo russo, deu provas cabais de que pode não apenas sobreviver, mas prosperar sem ele. A mais eloquente dessas provas foi dada pela guerrilha “zapatista” de Chiapas, México, em 1994. Cada resposta das autoridades mexicanas à violência guerrilheira era seguida instantaneamente de uma onda mundial de protestos, paralisando a ação do governo por medo das pressões internacionais e transformando em vitórias políticas as derrotas militares da guerrilha.

Daí por diante, acontecimentos similares tornaram-se rotina em todo o mundo Ocidental. Um exemplo significativo foram os ataques terroristas à rede ferroviária de Madri em 11 de março de 2004, realizados simultaneamente em vários pontos da cidade, que mataram 193 pessoas e feriram 2050. Menos de vinte e quatro horas depois, violentos protestos eclodiram em toda a Espanha, voltados não contra os terroristas, fossem eles quem fossem, e sim contra o governo espanhol por ter atribuído a autoria do crime (erroneamente, segundo se disse na ocasião) ao partido separatista basco Euzkadi. Três dias depois, o partido governista do primeiro-ministro José Maria Aznar perdia as eleições gerais para a oposição de esquerda.

A simultaneidade e a rapidez fulminante dessas operações – depois repetidas mil vezes em vários países – deviam-se a um único fator: estimulado em parte pelo desastre da experiência soviética, em parte por novas propostas estratégicas inspiradas em Antonio Gramsci e na Escola de Frakfurt, em parte pela difusão mundial dos pequenos computadores, o movimento comunista havia abandonado seu velho modelo hierárquico de linha de comando, e adotado um sistema de organização mais flexível em “redes”, de modo que em vez de uma única palavra-de-ordem descer do comando central para espalhar-se fielmente no seio da militância por meio de toda uma hierarquia de comandos intermediários, vários centros independentes, unidos vagamente por uma comunidade de valores e propósito, podiam emitir várias palavras-de-ordem simultâneas, cujas pequenas contradições mútuas logo se dissolviam na vaga unidade do sentimento comum voltado contra um inimigo preciso.

Já não se tratava de por em ação um exército disciplinado, mas de espalhar emoções e símbolos, controlando o mais sutil e imperceptivelmente possível o movimento do conjunto.
O sistema tinha a vantagem indiscutível de simular uma total espontaneidade e de espalhar entre militantes e simpatizantes um sentimento enganoso de liberdade e criatividade pessoal ao mesmo tempo que assegurava a difusão das palavras-de-ordem essenciais.

[Continua]