sábado, 10 de setembro de 2011

Red Cocaine - Capítulo 3 - Construindo a Rede das Drogas da América Latina

Por favor, avisem-me de qualquer erro de tradução ou de portugûes.


Red Cocaine - Capítulo 3 - Construindo a Rede das Drogas da América Latina

O braço tcheco da ofensiva das drogas soviética começou em 1960 em duas frentes: Ásia (Indonésia, Índia e Burma) e a América Latina (Cuba). Por causa do importante papel de Cuba para o crescimento do uso de drogas ilegais e de narcóticos nos Estados Unidos, a operação soviética-cubana-tcheca merece uma atenção especial.

No final do verão de 1960, apenas um ano e meio após Fidel Castro conquistar o poder, seu irmão Raul Castro visitou a Checoslováquia em procura de ajuda militar e assistência financeira. Naquela época, Fidel e os soviéticos se odiavam. Por essa razão os cubanos procuraram a Checoslováquia e não a União Soviética. Sejna foi o responsável por receber a delegação cubana e foi o seu anfitrião durante a visita. Uma de suas primeiras ações foi arrumar uma visita do Raul à União Soviética para conhecer Khrushchev. 

Seguindo essa visita, os soviéticos direcionaram os tchecos para trabalhar com os cubanos e pavimentar o caminho para uma tomada soviética de Cuba. Os soviéticos queriam que a Checoslováquia liderasse a tomada, porém escondendo a influência soviética. Eles não queriam que Fidel Castro ficasse sabendo da operação soviética para infiltrar e tomar cuba e não queriam que os Estados Unidos ficassem sabendo o que estava acontecendo.

Cuba e a Checoslováquia assinaram um acordo onde a Checoslováquia iria prover ajuda militar a Cuba, treinar os cubanos em planejamento e operações militares e ajudar organizar a inteligência e a contra inteligência cubana. Em troca, Cuba aceitou se tornar o centro revolucionário no Ocidente e permitiu que a Checoslováquia estabelecesse estações de inteligência em Cuba. Dezesseis conselheiros tchecos foram para cuba para prover treinamento e estabelecer as operações de inteligência e contra inteligência.

Aproximadamente quinze por cento dos conselheiros tchecos eram agentes da inteligência soviética disfarçados de tchecos. Em três anos, todos os tchecos em posições chaves seriam trocados por soviéticos. Assim, desde o princípio, a inteligência cubana e suas estruturas militares foram fortemente influenciadas pelos soviéticos. Em menos de dez anos, os soviéticos estavam em total controle.

Depois que os primeiros cubanos foram treinados como agentes de inteligência, eles receberam suas primeiras ordens de Moscou pela Checoslováquia: infiltrar nos Estados Unidos e em todos os países da América Latina para produzir e distribuir drogas e narcóticos nos Estados Unidos. As instruções do Conselho de Defesa Soviético foram para o conselho de Defesa Tcheco e depois para Cuba. Conselheiros Tchecos ajudaram os cubanos a iniciar a produção de drogas e narcóticos como prioridade máxima e também ajudaram eles a criar as rotas de transporte pelo Canadá e pelo México, onde os Tchecos tinham boas redes de agentes, para dentro dos Estados Unidos. Rudolph Barak, o Ministro do Interior da Checoslováquia e logo o chefe da inteligência civil, pessoalmente ajudou os cubanos a estabelecerem a operação. Desde o princípio, Barak estava constantemente empurrando Soviéticos para cada vez mais longe. Ele queria acelerar a produção e fazer um melhor uso da rede de agentes Tchecos na América Latina, Ásia, Áustria e Alemanha Ocidental.

A produção e o tráfico de drogas por Cuba só começaram após as instruções terem sido recebidas do Conselho de Defesa Soviético para expandir a ofensiva. Em 1961, a Checoslováquia recebeu instruções do Conselho de Defesa Soviético para a inteligência cubana infiltrar as operações existentes na América Latina e nos Estados Unidos para preparar a base e recrutar pessoas para essas operações independentes. A ordem foi apresentada pelo Conselho de Defesa da Checoslováquia e pelos Ministros da Defesa e Do Interior. Como secretário do Conselho de Defesa da Checoslováquia, Sejna foi responsável por coordenar e agendar as direções e atribuições subsequentes. O plano tcheco para pôr em prática a ordem foi coordenado e aprovado pelos Órgãos Administrativos do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética.

O principal objetivo da infiltração foi obter informações sobre indivíduos que foram corrompidos pelas drogas e pelo tráfico de narcóticos. Os principais alvos identificados eram os militares, policiais, políticos, religiosos e executivos. Alguns alvos adicionais eram as instituições científicas, indústrias militares e universidades. Um objetivo secundário era obter inteligência sobre a produção e distribuição de drogas que já existia, para habilitar os soviéticos a exercer o controle estratégico e ajudar a prevenir que as várias infiltrações paralelas atrapalhassem umas às outras. Inteligência derivada das infiltrações no crime organizado também contribuiu para esse objetivo. A primeira reunião para coordenar a infiltração e a coleta de dados sobre drogas e a corrupção gerado pelos narcóticos que Sejna sabe ocorreu em 1962 durante a Segunda Conferência de Havana. Uma reunião secreta dos soviéticos e dos agentes da inteligência treinados pelos soviéticos e de todas as organizações Latinas Americanas. Essa reunião secreta foi organizada pela inteligência cubana e tcheca. Oficiais tchecos dos serviços de inteligência militar, Zs, organizaram a reunião. Outros oficiais tchecos que participaram da reunião foram: o Ministro do Interior, da Segunda Administração (a organização equivalente da KGB na Checoslováquia) e a contra inteligência militar.
Na coleta de dados sobre indivíduos corrompidos pelo tráfico de drogas, tanto usuários de drogas como os que estavam lucrando com o tráfico, os soviéticos identificaram um grande número de pessoas que poderiam ser compradas, que eram suscetíveis à influência e, principalmente, “não estavam preocupadas com as consequências de suas ações”. As informações do dossiê continham bases excelentes para recrutamento de “agentes de influência” ou espiões. Essa informação também foi utilizada para expor e prejudicar a reputação de indivíduos e organizações consideradas hostis aos interesses soviéticos.

O uso de informação sobre corrupção para chantagear e para recrutar agentes de influência é uma velha tática do Marxismo-Leninismo que foi utilizada em escala global. A inteligência tcheca dividiu esses dossiês sobre corrupção em duas categorias: pessoas que já estão em posição de poder e pessoas que potencialmente chegarão a posições de poder. Em 1967, a inteligência tcheca possuía 2500 dossiês sobre pessoas do alto escalão. Seus arquivos não permitiam duplicação de dossiês mantidos pelos outros que estavam ativos na América Latina – os cubanos, alemães orientais, húngaros, búlgaros e soviéticos – por causa da cooperação desses serviços de inteligência. Assim, no final da década de 1960, os soviéticos já possuíam dados sobre corrupção de mais de 10.000 pessoas influentes pela América Latina.

Como um indicativo que esses números não são exagerados, em 1971 um francês chamado Batkoun foi pego traficando heroína para dentro do Canadá. Ele foi deportado para a França e julgado lá por tráfico de heroína. Durante o julgamento, Batkoun foi identificado como um membro do Partido Comunista da França e agente da subseção "Groupement Cinq” da KGB soviética. Valeurs Actuelles reportou que quando preso, Batkoun tinha em mãos uma lista com mais de dois mil viciados em heroína no Canadá, dentre eles proeminentes civis, artistas, apresentadores de TV e professores universitários.

Corrupção, claro, não está confinada na América Latina, mas inclui a América do Norte e os países europeus como França, Suécia, Áustria, Suíça, Itália, Reino Unido e a Alemanha, onde estes dois últimos foram identificados pelo líder do Departamento Internacional do Partido Comunista da União Soviética, Boris Ponomarev, como os mais corruptos. Sabendo que as instituições financeiras que lavam esse dinheiro ilícito fazem parte desta rede de corrupção, o potencial para os soviéticos de praticarem chantagem e influenciarem em diversas operações é infinito. Aliás, como veremos posteriormente, parte da estratégia soviética em envolver pessoas com influência no tráfico de drogas, especialmente pessoas em bancos, intuições financeiras, políticos, militares e executivos industriais, foi precisamente para abrir uma potencial chance para chantagear e influenciar certas operações.

Conhecimento das operações dos vários traficantes independentes, suas redes de tráfico, seus contatos, também foram utilizados para o objetivo mencionado anteriormente, para exercer controle estratégico sobre certas operações. No geral, os soviéticos não queriam ou não precisaram de um controle tático, das operações do dia-a-dia. Enquanto as drogas e os narcóticos estivessem indo na direção certa, para as sociedades burguesas, os objetivos soviéticos estão sendo alcançados. O importante para os soviéticos é prevenir que estas atividades interfiram com outras operações soviéticas e certamente prevenir que essas operações façam o holofote dos jornalistas apontem na direção errada.

As informações coletadas por esse processo são impressionantes. Em 1963, o General Sejna, o Ministro da Defesa e chefe da inteligência Militar visitou o centro de treinamento de traficantes de drogas da Zs na Bratislava. Seu anfitrião e acompanhante foi o Coronel Karel Borsky, o responsável pelos centros de treinamento. Na época, Sejna ficou impressionado pelo nível de detalhe sobre a rede de tráfico ao redor do mundo que o curso continha, principalmente pelos detalhes sobre a América Latina. Por exemplo, uma grande quantidade de informação foi adquirida em inúmeras empresas do México onde a principal atividade era contrabando de drogas - incluindo fotos dos caminhões e os nomes dos motoristas usados no transporte da droga para os Estados Unidos.

Armado com o conhecimento de como as operações com drogas funcionam, os soviéticos observam uma operação e exercem controle somente quando necessário. O potencial para o controle estratégico é evidente quando se analisa o testemunho dado em 1983 pelo Juan Crump, um advogado colombiano e traficante de drogas. Respondendo o Senador Dennis DeConcini (Democrata - Arizona) sobre a importância dos contatos com os oficiais colombianos, Crump respondeu que contatos (suborno) era essencial para existir e sobreviver. Os soviéticos por esses conhecimentos e pela inteligência sobre suas atividades ilegais, eles conseguiam exercer controle sobre os traficantes independentes quando necessário.
Outro mecanismo empregado para lidar com organizações e indivíduos que não cooperam é armar para serem pegos pelas autoridades. É especulado que isso que tenha habilitado aos EUA ter trazido o super traficante colombiano Carlos Lehder Rivas para ser julgados nos EUA. As possíveis causas da traição são fáceis de imaginar. Por exemplo, tantos os soviéticos como os outros membros do Cartel de Medellín podem ter chegado à conclusão que Lehder estava falando demais, politizado demais. Lehder estava dando entrevista a rádios e chamando a cocaína da "bomba atômica da América Latina". Cocaína era uma arma da revolução a ser utilizada contra os imperialistas, ele explicava. O problema com isso é que estava chamando a atenção de maneira desnecessária para as operações de drogas, especialmente ao Cartel de Medellín que ele participava, e estava perto demais da verdade das Operações Soviéticas. Assim qualquer parte pode ter decidido calá-lo. A beleza é que, o entregando as autoridades americanas, estas tinham suas imagens melhoradas, apesar de estarem agindo como agentes disciplinadores dos outros traficantes.

Outro exemplo desta prática foi dado por Ramom Milian Rodriguez, um CPA de Miami que administrou uma boa parte do dinheiro do tráfico ganho pelo Cartel de Medellín da Colômbia. Na tentativa de sair com $5.3 milhões de dólares dos Estados Unidos em 1983, ele acabou sendo preso e acusado de estelionato. Rodriguez foi empregado pelo cartel para arrumar pontos seguros para coletar, contar e empacotar o dinheiro. Ele conseguiu depois arrumar um esquema de envio do dinheiro, um complexo processo par lavagem do dinheiro utilizando vários bancos. Todos os bancos no Panamá eram utilizados por Rodriguez neste processo. Eventualmente, ele explicou, grande parte do dinheiro que chegava até ele era investido em imóveis, ações, títulos de dívida pública para o cartel. Quando Rodriguez criou esta operação, Manuel Antônio Noriega era um coronel responsável pelo serviço de inteligência do Panamá. Rodriguez testemunhou para um subcomitê do Senado Americano em 1988 que o Noriega "utilizou magistralmente as agências de repressão americana para me retirar da operação, deixando esta intacta e operante". A denúncia para a prisão de Rodriguez foi uma ligação anônima, na teoria enviada por Noriega, do Panamá para o Esquadrão do Sul da Flórida sobre drogas, alertando para os planos de Rodriguez. Porém há outras possibilidades a serem consideradas. Rodriguez se declarou ser fortemente anticomunista. Em 1980 ou 1981, a inteligência cubana, a DGI, tentou recruta-lo para uma operação, mas ele havia negado. Mais ou menos ao mesmo tempo, havia começado uma guerra entre o Cartel de Medellín e os revolucionários do M-19 (patrocinados pelos cubanos). Rodriguez disse que aconselhou o Cartel em como lutar utilizando táticas terroristas e aconselhou a não cooperar com o M-19 assim que a guerra estivesse resolvida. Ele também avisou ao Cartel sobre as táticas da inteligência cubana que ele viu sendo tomado para penetrar e controlar o Cartel. Finalmente, ele explicou como era especialmente cuidadoso nas negociações com Noriega para garantir que "Noriega fosse poderoso o suficiente para nos servir e nunca poderoso o suficiente para nos controlar". Enquanto a ligação que denunciou Rodriguez pode ter vindo de Noriega, sobre estas circunstâncias é logico suspeitar que a inteligência cubana ou soviética esteve por detrás de tudo.
Usando as informações ganhas com a infiltração nas organizações de drogas, os Soviéticos não tinham nenhuma necessidade em ter controle direto (tático) de todas as operações na América Latina. Na verdade, seria até melhor manter certa distância e que alguns dos infiltrados nem soubessem que os Soviéticos exerciam controle quando necessário. Esse princípio operacional pode ser visto em uma resolução secreta adotada na Conferência Tri-Lateral de Cuba em 1966, que a lista como o sexto princípio operacional:
"Para resguardar a campanha dos viciados em drogas, devemos defendê-la em nome dos direitos individuais. Devemos manter o Partido Comunista afastado dos canais do narcótico e do tráfico, para que as fontes de entrada de dinheiro não possam ser conectadas com as ações revolucionárias do Partido Comunista. Apesar disto, devemos combinar a fomentação do medo da guerra atômica com o pacifismo e a desmoralização dos jovens com os agentes alucinógenos."

Seguindo a decisão de possuir agentes de inteligência Cubana infiltrado em todas as operações na América Latina, o Conselho de Defesa dos Soviéticos deu mais instruções, novamente pelo Conselho de Defesa da Checoslováquia, desta vez para Cuba estabelecer sua própria produção e pôr em operação em vários países da América Latina. Cuba se moveu rapidamente para estabelecer suas atividades com narcóticos no México e na Colômbia. A rede resultante foi operada por Colombianos porém foi dirigida por Cubanos. A inteligência Tcheca ajudou a estabelecer as operações e os Soviéticos estavam envolvidos tanto no planejamento como na aprovação das operações. Assim que os novos empreendimentos começaram a acontecer no México e na Colômbia, os Cubanos, com ajuda dos Tchecos, expandiram para o Panamá e para a Argentina, e, com a assistência da Alemanha Oriental, para o Uruguai e Jamaica.

Cuba e a Checoslováquia também desenvolveram uma operação conjunta no Chile. Danislav Lhotsky, um agente da inteligência Tcheca, estava oficialmente no Chile supostamente para discutir problemas econômicos. Suas instruções eram para desenvolver, junto dos Cubanos, a produção e distribuição das redes no Chile e depois expandir esta rede para a Argentina e para o Brasil. Quando Lhotsy retornou para a Checoslováquia em 1967, ele foi premiado com o prêmio "Ordem da Estrela Vermelha" pelo seu ótimo trabalho construindo a rede de drogas no Chile.

Uma das principais contribuições de Cuba na operação de drogas no Chile - identificado pelo relatório da Administração para Aplicação de Políticas de Drogas - foi o recrutamento do senador marxista Salvador Allende, que mais tarde se tornaria presidente do Chile. Allende foi também presidente da Conferência Tri-Lateral. Ele propôs a criação da OLAS - Organização de Solidariedade na América Latina - como uma "unida frente advogando a revolução armada" e foi eleito como seu primeiro líder. Durante a presidência do Allende, o tráfico de drogas floresceu no Chile. Em 1973, as autoridades dos EUA mensuraram que US$309 milhões em cocaína foram produzidas em laboratórios Chilenos.

Na Argentina, as operações de drogas da Checoslováquia foram estabelecidas por um dos seus principais agentes, Oldrick Limbursky, que estava alocado na Argentina como um representante de uma companhia de exportação Tcheca. Ele construiu a rede de drogas na Argentina e depois a expandiu para o Brasil.
Resumindo, os Cubanos foram extremamente eficientes em estabelecerem as operações por toda a América Latina. Tanto Fidel como o Raul Casto eram entusiastas e se esforçaram para que as atividades expandissem muito mais rápido do que os Soviéticos achassem prudente. A primeira visita do Fidel Castro a Checoslováquia foi bastante notável neste aspecto. Sua visita coincidiu com uma posterior visita a Moscou e logo em seguida com a Crise dos Mísseis em Cuba. Ele estava perturbado, para não dizer coisa pior, e gastou mais de dez dias reclamando que os principais líderes Soviéticos não o consultavam para nada. Logo em seguida ele voltou para a Checoslováquia.

As conversas com Fidel eram em sua maioria complicadas, Sejna explica. Fidel achava que podia destruir o capitalismo de um dia para outro. Ele queria utilizar a rede criminosa para a revolução e usar todo o conhecimento das pessoas que já estavam corrompidas pelas drogas, que estavam chegando pelas operações secretas Cubanas, para aumentar a venda das drogas. “As drogas irão nos ajudar”, Sejna lembra do Fidel gostava de enfatizar, “na nossa defesa, para obtenção de dinheiro e para liquidar o capitalismo”. Fidel era completamente empenhado. Este episódio, na verdade, era uma das razões que os soviéticos o tinham mais como um Anarquista do que como um Comunista. Os oficiais checos tiveram muito trabalho para convencê-lo que ele precisava se preparar para os próximos 20 anos e não somente para o dia seguinte. Não é possível, eles lembravam, trocar toda a geração mais antiga. Nós podemos corrompê-los e explorá-los utilizando o crime para obter mais informações e para influenciar as decisões. Mas o foco para a mudança significativa precisa ser nas gerações mais jovens. Essas são as pessoas que precisamos trabalhar para mudar o exército, para retardar o desenvolvimento científico e para influenciar as lideranças governamentais. Por isso, a juventude americana foi selecionada como principal alvo da ofensiva com as drogas.

Para conseguirem comunicar as estratégias mais importantes e da melhor maneira possível para o Fidel, os oficiais Checos organizaram um relatório detalhado sobre a estratégia do Khrushchev da “coexistência pacifica”, a mesma que foi desenvolvida e explicada para os mais importantes oficiais Checos em 1954; a “coexistência pacífica” não existia para eles virarem amigos dos americanos, mas sim para leva-los à destruição mais rapidamente. Toda a operação foi feita para que o Fidel conseguisse entender que deveria utilizar as estratégias das drogas totalmente integrada à estratégia geral, e que por isso, não fazia sentido isolar as operações com as drogas e tratar o tráfico de drogas como uma operação independente. O tráfico de drogas foi pensado como uma parte importante na coordenação da estratégia geral, e era fundamental que o Fidel conseguisse entender a importância desta operação no longo prazo, que era, na verdade, a sistemática destruição do capitalismo.

Além da produção e do tráfico, Cuba também se envolveu em pesquisa e desenvolvimento de novas drogas. No inverno de 1963, um substituto do Raul Castro foi para a Checoslováquia para conseguir ajuda em forma de equipamentos para produzir drogas na Colômbia a para produzir drogas sintéticas como parte de um experimento em Cuba. O equipamento foi pego por Raul Castro somente em 1964, quando ele parou em Praga após uma visita a Moscou. Logo após isso, o chefe do Departamento de Saúde da Checoslováquia, o coronel-general Miroslav Hemalla acompanhado de dois subordinados e dois técnicos, voou para Cuba para assinar um tratado de cooperação na área Médica (apenas um disfarce para pesquisas utilizando drogas), para ensinar os Cubanos a operar as máquinas, e para instruir o Fidel a começar a produção de drogas na República Dominicana. Está tática fazia parte da estratégia Soviética de sempre produzir as drogas o mais localmente possível, ao invés de transportá-las da União Soviética e do Leste Europeu. Os Cubanos deviam ser utilizados como os operadores, para manter os Soviéticos “limpos”.

Seguindo estas e outras medidas para penetrar nas organizações criminosas e para instalar as operações de Cuba por toda a América Latina, os Soviéticos ordenaram outra operação de backup e outras redes de distribuição por toda a região – esta organizada diretamente por serviços selecionados do Leste Europeu. O primeiro alvo da Checoslováquia foi a Colômbia. Para começar as operações, os Soviéticos recomendaram que os Checos deveriam contratar um dos principais indivíduos da rede Cubana na Colômbia, um militar aposentado que se apresentava pelo nome de Kovaks. O codinome desta operação secreta na Colômbia foi “Pirâmide”, que tinha a ideia de confundir as pessoas como se fosse uma operação do Oriente Médio. O oficial Checo em cargo desta operação foi o primeiro substituto do gabinete do Ministério do Interior. Logo após esta operação, ele foi nomeado Ministro do Interior. Por incrível que pareça, muitos do Ocidente nem sequer percebiam que a função do Ministro do Interior não era tomar conta dos rios e parques, o que acontece na maioria dos países ocidentais, mas sim da “segurança interna”, ou seja, inteligência civil e operações secretas. 

Kovaks viajou à Checoslováquia em abril de 1964 com um plano de uma nova operação que deveria ser aprovada pela inteligência Checoslováquia. Para disfarçar a sua viagem, ele foi primeiro ao México, onde na embaixada Checa ele conseguiu um passaporte falso. Do México ele voou para Viena, onde ele conseguiu um passaporte checo que foi utilizado na Terceira parte da viagem.
O plano final que ele trouxe consigo, que iria iniciar novas operações na Colômbia, foi primeiramente levado aos Soviéticos para aprovação. Depois disso, o plano, modificado em última hora para incorporar sugestões soviéticas foi apresentado ao Conselho de Defesa da Checoslováquia. O plano continha várias diretrizes, além de várias estimativas, onde as mais importantes eram:

1.       Com a ajuda para obter os equipamentos necessários, a produção de cocaína começaria em seis meses;
2.       A rede de distribuição estava funcionando em menos de seis meses;
3.       A distribuição começaria nos Estados Unidos e no Canadá. Mais tarde, a distribuição poderia ir para a Europa;
4.       A distribuição seria mantida a distância do mercado interno;

Na apresentação do plano conjunto do Ministério da Defesa e do Ministério do Interior, o ministro da defesa explicou que já haviam sido selecionados doze pessoas para a operação. Dentre esses, oito já haviam possuído permissão para operar por duas vias; primeiro, pelo Partido Comunista da Colômbia, e Segundo por um já antigo agente da inteligência Checa que estava alocado como um oficial de alta patente no Ministério da Segurança da Colômbia. O plano foi unanimemente aceito pelo Conselho de Defesa da Checoslováquia.

Por causa da operação mais efetiva que estava se desenvolvendo no México, os Soviéticos direcionaram os Checos para infiltrar e ganhar controle da operação. O codinome secreto desta operação foi “Rhine”, para que a operação fosse associada a Europa. O agente Checo selecionado para esta iniciativa foi o Major Jidrich Strnad, que estava operando no México sobre o disfarce de uma empresa de exportação. Seu chefe da Zs era o Coronel Borsky.

Os Cubanos foram especialistas em recrutar Mexicanos para estabelecer a produção e a rede de distribuição e utilizar as informações obtidas através da corrupção para chantagear os oficiais Mexicanos. Os Soviéticos ficavam impressionados, e um dos principais motivos para direcionar a inteligência Checa para infiltrar as operações Cubanos era para aprender os segredos do sucesso no México.

Reconhecendo a posição estratégica do México, os soviéticos direcionaram o estabelecimento de uma segunda operação Checa no México que foi desenvolvida para complementar a iniciativa “Rhine”. O codinome secreto dessa segunda operação foi “Lua Cheia”. Esta campanha teve dois propósitos. O primeiro era para desenvolver uma extensa rede para distribuição de droga dentro dos Estados Unidos. O Segundo era treinar agentes que iriam ser inseridos dentro dos Estados Unidos e Canadá que possuíam instruções para se infiltrar nas redes de distribuição de drogas. Utilizando os seus contatos dentro das redes do México, eles deveriam tomar conta gradualmente das redes dos Estados Unidos e do Canadá. O nome “Lua Cheia” se referre ao fato dos agentes do Bloco Soviético estarem em controle da maior parte dos grupos dos Estados Unidos e do Canadá. México, é bom destacar, sempre foi um alvo importante também da ofensiva Chinesa com drogas.

Com ambos Soviéticos (inicialmente utilizando os Cubanos) e Chineses focando no México, não é de se surpreender que o México é uma das principais rotas do narcotráfico de heroína, cocaína e maconha para dentro dos Estados Unidos.

A inteligência Checa também se envolveu em operações Cubanas no Panamá, sobre o codinome “Pablo”. Uma operação Cubana também foi desenvolvida em El Salvador. Em uma reunião sobre como financiar o Partido Comunista de El Salvador, Sejna lembra que os soviéticos direcionavam os Cubanos para financiar o Partido utilizando os lucros das operações com drogas no próprio país.

Uma operação a parte foi criada para aumentar os “benefícios” daqueles que regularmente procuravam as quentes areias e aguas das ilhas caribenhas, especialmente para tirar proveito da expansão do turismo Caribenho. O segundo secretário do Partido Comunista Francês (um experiente agente da KGB), junto do primeiro secretário do Partido Comunista do Guadalupe, concebeu esta ideia, de distribuir drogas nas rotas turísticas do Caribe. Os seus objetivos eram levantar dinheiro e obter informações que podiam ser utilizadas para chantagear outros membros da burguesia Americana.

Eles ajudaram a estabelecer a operação e proveram recomendações das pessoas aptas a serem recrutadas para operar. A operação foi, mais tarde, entregue a dois oficiais da inteligência Checa, um da inteligência militar e outro do Ministério de Interior. Ambos oficiais eram nascidos na França e falavam o francês fluentemente. Guadalupe era o centro da operação, que servia a ilha de Martinique e eventualmente as outras ilhas do Caribe. O dinheiro levantado por esta operação foi capaz de financiar todas as operações da inteligência Comunista em Guadalupe, Martinique, Suriname, Haiti e boa parte da inteligência Comunista da França.

No início da década de 1960, os soviéticos estavam construindo rapidamente várias organizações pelo América do Norte, América Central, América do Sul e pelo Caribe. Outros satélites soviéticos diretamente envolvidos eram a Checoslováquia, Cuba, Hungria, Alemanha Oriental, Bulgária e a Polônia. A maioria do conhecimento do Sejna era da dimensão da estratégia da parte Checa. As operações dos outros satélites não são lidadas com detalhes por esta análise, porém todos eles estavam profundamente envolvidos nas operações com drogas. Romênia e a Albânia não faziam parte oficialmente da ofensiva Soviética porque os Soviéticos não confiavam na segurança destes dois países. Albânia chegou a pedir para participar citando a sua força na inteligência na área Báltica e do Oriente Médio, porém ao invés de trazer a Albânia para a operação, os Soviéticos decidiram dar o dinheiro para os Albaneses comprarem os equipamentos necessários, para que a Albânia trabalhasse de maneira “independente”.

Países em que o Sejna teve conhecimento direto das organizações que foram estabelecidas na década de 1960 incluem Canadá, México, Panamá, Argentina, Chile, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Uruguai, Paraguai, Peru, Guadalupe, El Salvador, República Dominicana, Jamaica e obviamente os Estados Unidos. Para esta lista deveriam ser adicionados os países onde o crime organizado foi crítico para o narcotráfico. Um exemplo destes países é a Venezuela, país que os Soviéticos decidiram em 1960-61 que seria o centro da organização da máfia, das operações e da lavagem de dinheiro do hemisfério Ocidental.

As drogas inicialmente escolhidas foram o ópio, heroína, morfina, maconha e os sintéticos como o LSD. Enquanto a cocaína não era proeminente na época, em 1961, os Soviéticos, analisando o cenário das drogas, concluíram que a cocaína era, para utilizar umas das frases favoritas deles “a onda do futuro”. Esta revelação veio ao Sejna numa reunião em Moscou em 1964 que foi armada para a discussão e a coordenação de um plano de disfarce. Estavam na reunião, da Checoslováquia, o chefe da Administração Política Principal, o chefe da Zs (inteligência militar) e a principal cabeça da inteligência estratégica, além, é claro, do Jan Sejna. Os soviéticos presentes era o chefe da Administração Política Principal, o chefe da GRU (Inteligência Militar Soviética) e o chefe da inteligência estratégica, e o General Boris Shevchenko, o chefe do Departamento de Propaganda Especial, quem coordenou a reunião.

Foi nesta reunião que Shevchenko introduziu o termo “Epidemia Rosa”. Discutindo o future, ele reforçou o potencial da cocaína. Ela é preferida à heroína, ele explicou, porque ela é de produção mais fácil além de poder ser distribuída para muito mais pessoas do que a heroína. Os Soviéticos estavam tão impressionados com o potencial da cocaína, que, de fato, eles falavam numa epidemia, numa “epidemia branca”. Para “servir e expandir” esta epidemia, Shevchenko explicava, uma produção e distribuição separada era necessária, iniciando imediatamente.

Esta nova operação utilizando a cocaína foi referida e chamada pelo codinome de “Epidemia Rosa”. No início os países que lideraram a produção e distribuição foram a União Soviética, Checoslováquia e Cuba. A Checoslováquia começou imediatamente um programa tecnológica especial para desenvolver a as técnicas necessárias. Esta operação foi operada pela inteligência militar e pelo Departamento de Saúde sob o comando da contra inteligência militar.

As necessárias experiências na produção foram conduzidas num centro de pesquisa ultrassecreto em Milovice. A operação foi facilitada pelos Cubanos, que aprenderam algumas técnicas rudimentares que eram utilizadas na América do Sul e passaram todas as informações para a inteligência Checa. Os cientistas Checos aprenderam e depois evoluíram as técnicas para um modelo de produção em massa de modo mais profissional.


Assim, entre 1960 e 1965, os serviços da inteligência Soviética, diretamente de Moscou, estabeleceram a produção, distribuição de drogas, além de operações de lavagem de dinheiro por todo o Sul, Centro o Norte do continente Americano. Somente as pessoas que passavam por um pesado processo de investigação local podiam fazer parte das operações, que eram discretamente gerenciadas pelo Bloco Soviético ou pelos agentes da Inteligência Cubana, que, na maioria das vezes, eram treinados na União Soviética. Os futuros narcotraficantes de todo o mundo eram treinados em narcotráfico nos centros do Leste Europeu e na União Soviética. Alguns centros adicionais existiam na Coréia do Norte, no Vietnã do Norte e em Cuba. Os graduados viravam agentes do narcotráfico Soviético. Inicialmente o narcotráfico era de heroína, maconha e sintéticos. Porém, com o efeito que começou em 1964, uma rede especial foi criada para servir e expandir a futura epidemia de cocaína.