sábado, 15 de março de 2014
terça-feira, 30 de abril de 2013
A cruzada religiosa do Kremlin
Original
Traduzido em:
Ion Mihai Pacepa (Lt. Gen. R) é o mais alto funcionário do bloco soviético ao qual foi concedido asilo político nos Estados Unidos. No Natal de 1989, Ceausescu e sua mulher foram executados depois de um julgamento – as acusações presentes no processo foram publicadas quase que palavra-por-palavra no livro de Pacepa, “Red Horizons”, posteriormente traduzido para 27 idiomas.
Tradução: Bruno Braga
Se você pensa que a Rússia se tornou nossa amiga, pense novamente. Não vamos gastar todo o nosso dinheiro em bem-estar e em aquecimento global. A “eleição” do novo patriarca da Rússia em 2009 mostra que ainda precisamos nos defender contra os sonhos imperiais do Kremlin.
Há tempos o Kremlin usa a religião para manipular as pessoas. Os czares utilizaram a Igreja para instilar a obediência doméstica. Os governantes soviéticos apaziguaram a população com a KGB, mas eles sonhavam com a revolução mundial. Depois que a casa já tinha sido acalmada, então eles encarregaram a KGB de trabalhar – através da igreja – para ajudar o Kremlin a expandir sua influência na América Latina. Desde Pedro, o Grande, os czares russos conservam a obsessão de encontrar um meio para entrar no Novo Mundo.
Criar um exército secreto de inteligência formado por servos religiosos, e utilizá-lo para promover os interesses do Kremlin no exterior, foi um trabalho importante para a KGB ao longo dos 27 anos em que fiz parte dela. Centenas de religiosos que não cooperavam foram assassinados ou enviados para os Gulags. Os complacentes foram utilizados. Como não era permitido aos padres serem agentes da KGB, eles assumiram a condição de cooptador ou de agente disfarçado. Um cooptador recebia privilégios da KGB (promoções, viagens internacionais, cigarros e bebidas importados, etc.). Um agente disfarçado gozava dos mesmos privilégios, além de receber um salário suplementar secreto de acordo com a sua posição real ou imaginária na KGB. Para preservar o sigilo, todos os padres que se tornaram cooptadores ou agentes disfarçados eram conhecidos, dentro da KGB, apenas pelos seus codinomes.
Revelações recentes mostram que a KGB continua, como antes, a mesma cruzada religiosa, apesar de a agência ter sido discretamente renomeada – FSB (1)– para promover a ideia de que a criminosa polícia política soviética, que matou mais de 20 milhões de pessoas, tinha sido dissipada pelos ventos da mudança.
No dia 5 de dezembro de 2008, morreu o patriarca russo Aleksi II. A KGB o conduziu sob o codinome “DROSDOV” e o premiou com Certificado de Honra, como mostra um arquivo da KGB acidentalmente deixado para trás na Estônia (2). Pela primeira vez na história a Rússia poderia agora eleger democraticamente um novo patriarca.
Em 27 de janeiro de 2009, os 700 delegados sinodais reunidos em Moscou foram presenteados com uma lista fechada com 3 candidatos. Todos, no entanto, pertenciam ao exército secreto da KGB: o metropolitano Kirill, de Smolensk, trabalhou para a KGB sob o codinome “MIKHAYLOV”; o Filaret, metropolitano de Minsk, foi identificado como tendo trabalhado para a KGB sob o codinome “OSTROVSKY”; e o Kliment, metropolitano de Kaluga, foi recentemente descoberto, tinha sido listado com o codinome “TOPAZ” [3].
Os sinos da Catedral de Cristo Salvador anunciaram em Moscou que um novo patriarca tinha sido eleito. O metropolitano Kirill, também conhecido como “MIKHAYLOV”, havia sido o vencedor. Provavelmente a KGB/FSB o considerou em uma condição melhor para executar seus projetos internacionais, domínio no qual ele concentrou seus esforços durante a maior parte de sua vida profissional. Em 1971, a KGB o enviou a Genebra (Suíça) como representante da Igreja Ortodoxa Russa no Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a maior organização ecumênica internacional depois do Vaticano, que representa aproximadamente 550 milhões de cristãos de várias denominações em 120 países. ( N. do E.: O Conselho Mundial de Igrejas (CMI), desde que surgiu, representa apenas os inúmeros agentes da esquerda infiltrados em denominações cristãs diversas, que, com o apoio de milhares de idiotas úteis, endossam e fomentam, além do mais relativista e caótico liberalismo teológico, movimentos subversivos de toda espécie, incluindo aí terroristas, bem como toda a agenda do marxismo cultural: aborto, gayzismo, feminismo, etc.) O objetivo era usar sua posição no CMI para espalhar a doutrina da Teologia da Libertação – um movimento religioso marxista que nasceu na KGB – pela América Latina. Em 1975, a KGB infiltrou “MIKHAYLOV” no Comitê Central do CMI, e em 1989 a KGB o apontou como presidente de relações internacionais do patriarcado russo – posições que ele mantinha quando foi “eleito” patriarca. De fato, no seu discurso de posse ”MIKHAYLOV” anunciou que fundaria canais de televisão religiosos na Rússia que fariam transmissões internacionais.
O fato de “MIKHAYLOV” ser um bilionário provavelmente também o fez mais apropriado para a Rússia, que agora é conduzida por uma cleptocracia da KGB – meu antigo colega da KGB, Vladimir Putin, que é co-proprietário de reservas de gás da Rússia, tornou-se um dos homens mais ricos da Europa. Por sua vez, “MIKHAYLOV” foi incluído no mercado livre de tabaco. A licença foi concedida a ele pelo governo Putin, que é composto, sobretudo, por antigos oficiais da KGB [4].
Meu primeiro contato com o empenho da KGB de utilizar a religião para ampliar a influência estrangeira do Kremlin aconteceu em 1959. “A religião é o ópio do povo” [5]. Eu ouvi Nikita Khrushchev dizer, citando a famosa máxima de Marx, “então vamos dar-lhes ópio”. O líder soviético veio a Bucareste junto com o seu principal espião, o General Sakharovsky, meu chefe de facto naquele tempo, que em 1949 tinha criado a “Securitate”, o equivalente romeno da KGB, e que se tornou seu primeiro conselheiro soviético. Khrushchev queria discutir um plano para assumir o oeste de Berlim, que havia se tornado uma rota de fuga através da qual mais de 3 milhões de europeus do leste fugiram para o Ocidente.
Naquele tempo eu era o chefe interino da Missão Romena na Alemanha Ocidental e chefe da estação de inteligência romena lá. Como um “especialista em Alemanha”, eu participava da maioria das discussões. “Nós chegaremos a Berlim”, Khrushchev nos assegurou. Sua “arma secreta” era Cuba. “Quando os yankees souberem que estamos em Cuba eles vão esquecer que estamos no oeste berlinense, e nós o tomaremos. Então usaremos Cuba como trampolim para lançar uma religião concebida pela KGB na América Latina”, retratada por Khrushchev como uma fortaleza já cercada que logo se renderia ao Kremlin. Complexo? Absolutamente, mas é assim que a mente de tiranos comunistas funciona.
Khrushchev nomeou “Teologia da Libertação” a nova religião criada pela KGB. A inclinação dela para a “libertação” foi herdada da KGB, que mais tarde criou a Organização para a “Libertação” da Palestina (OLP), o Exército de “Libertação” Nacional da Colômbia (ELN), e o Exército de “Libertação” Nacional da Bolívia. A Romênia era um país latino, e Khrushchev queria nossa “visão latina” sobre sua nova guerra de “libertação” religiosa. Ele também nos queria para enviar alguns padres que eram cooptadores ou agentes disfarçados para a América Latina – queria ver como “nós” poderíamos tornar palatável para aquela parte do mundo a sua nova Teologia da Libertação. Khrushchev obteve o nosso melhor esforço.
Lançar uma nova religião foi um evento histórico, e a KGB tinha se preparado cuidadosamente para isso. Naquele momento a KGB estava construindo uma nova organização religiosa internacional em Praga, chamada “Christian Peace Conference” (CPC), cujo objetivo seria espalhar a Teologia da Libertação pela América Latina. Diferentemente da Europa, a América Latina daqueles anos ainda não havia sido picada pelo besouro marxista. A maioria dos latino-americanos era pobre, camponeses devotos que tinham aceitado o status quo. A KGB pretendia infiltrar o marxismo naqueles países com a ajuda da “Christian Peace Conference”, que foi concebida para calmamente incitar os pastores a lutarem contra a “pobreza institucionalizada”.
Nós, romenos, contribuímos com o CPC com um pequeno exército de cooptadores e oficiais disfarçados. Para preservar o sigilo total da operação, nós também recebemos ordem para transformar todas as nossas organizações religiosas envolvidas em questão de assunto internacional dentro de entidades secretas de inteligência.
O novo CPC era subordinado ao respeitável Conselho Mundial da Paz (CMP) – outra criação da KGB, fundado em 1949 e agora sediado também em Praga. Quando ainda era um jovem oficial de inteligência, eu trabalhei para o CMP, e mais tarde dirigi suas operações romenas. Era genuinamente a KGB. Em 1989, quando a União Soviética estava à beira de um colapso, o CMP admitiu publicamente que 90% do seu dinheiro tinha vindo da KGB [6].
O CMP publicou um periódico francês – “Courier de la Paix” – impresso em Moscou. O “Christian Peace Conference” publicou um periódico em inglês, “CPC INFORMATION”, editado pela KGB, que apresentou o CPC ao mundo como uma organização global ecumênica preocupada com os problemas da paz. O objetivo secreto do CPC, no entanto, era incitar o ódio contra o capitalismo e contra o consumismo na América Latina, e espalhar a Teologia da Libertação naquela parte do mundo.
Até pouco tempo eu acreditava que a “Teologia da Libertação” havia sido apenas mais um projeto descuidado de Khrushchev que desceria junto com ele pelo ralo da história. Novas revelações dos arquivos da KGB, no entanto, sugerem que a “Teologia da Libertação” foi mais bem sucedida que nos sonhos mais ousados de Khrushchev.
Em 1968, o CPC – criado pela KGB – foi capaz de dirigir um grupo de bispos esquerdistas sul-americanos na realização de uma Conferência de Bispos Latino-americanos em Medellín, na Colômbia. O propósito oficial da Conferência era superar a pobreza. O objetivo não declarado foi reconhecer um novo movimento religioso, que encorajasse o pobre a se rebelar contra a “violência da pobreza institucionalizada”, e recomendá-lo ao Conselho Mundial de Igrejas para aprovação oficial. A Conferência de Medellín fez os dois. Também engoliu o nome de nascimento dado pela KGB: “Teologia da Libertação”.
A “Teologia da Libertação” foi então formalmente apresentada ao mundo pelo Conselho Mundial de Igrejas. Revelações mostram que todo o exército de cooptadores e de oficiais disfarçados da KGB foi enviado de Moscou para ajudar [7].
Aqui estão alguns extratos de documentos originais da KGB conhecidos como “Arquivo Mitrokhin” (descrito pelo FBI como o mais completo e amplo já recebido de qualquer fonte), e dos documentos do Politburo liberados pelo padre Gleb Yakumin, vice-presidente da comissão parlamentar russa que investigou a manipulação da igreja promovida pela KGB.
Agosto 1969. Agentes “Svyatoslav”, “Adamant”, “Altar”, “Magister”, “Roschin”, e “Zemnogorsky” foram enviados pela KGB até a Inglaterra para participarem no trabalho do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas. A agência [KGB] manobrou para frustrar atividade hostil [contra a Teologia da Libertação], e o agente “Kuznetsov” manejou para penetrar o diretório do CMI.
“ADAMANT”, que comandou este grupo de assalto da KGB, era o Metropolitano Nikodim. “KUZNETSOV” era Aleksey Buyevsky, secretário leigo do departamento de relações internacionais do patriarcado, comandado por Nikodim.
Fevereiro 1972. Agentes “Svyatoslav” e “Mikhailov” foram para a Nova Zelândia e Austrália para sessões do Comitê Central do CMI.
Como indicado anteriormente, “MIKHAYLOV” é Kirill, o patriarca da Rússia.
Julho 1983. 47 agentes de órgãos da KGB entre autoridades religiosas, clero e pessoal técnico da delegação da URSS foram enviados para Vancouver (Canadá) para a 6a Assembleia Geral do CMI.
Agosto 1989. O Comitê Central do CMI organizou uma sessão especial sobre perestroika. ... Agora a agenda do CMI é também nossa [8].
O “Arquivo Mitrokhin”, contendo cerca de 25 mil páginas de documentos da KGB altamente confidenciais, representa uma parte minúscula do arquivo completo da KGB, estimado em aproximadamente 27 bilhões de páginas (a “Stasi” da Alemanha Oriental tem 3 bilhões). Se este arquivo da KGB for realmente aberto sem ser higienizado, ele contará a verdadeira e assustadora história.
Em 1984, o Papa João Paulo II encarregou a Congregação para a Doutrina da Fé, conduzida pelo Cardeal Joseph Ratzinger, agora Papa Bento XVI, de preparar uma análise da “Teologia da Libertação”. O estudo devastador apresentou a “Teologia da Libertação” como uma combinação de “luta de classes” e “Marxismo violento” [9], dando nela um sério golpe.
A “Teologia da Libertação” – criada pela KGB – está ainda aumentando suas raízes na Venezuela, Bolívia, Honduras e Nicarágua, onde camponeses apoiam as tentativas dos ditadores marxistas Hugo Chávez, Evo Morales, Manuel Zelaya e Daniel Ortega de transformarem os seus países em ditaduras policiais de tipo KGB. Há poucos meses a Venezuela e a Bolívia expulsaram – na mesma semana - os embaixadores dos Estados Unidos, e apelaram à proteção militar russa. Embarcações militares e bombardeiros russos estão agora de volta a Cuba – e novamente na Venezuela – pela primeira vez desde a crise dos mísseis cubana. O Brasil, a décima maior economia do mundo, parece estar seguindo os passos do seu governante marxista, Lula da Silva, que em 1980 criou o “Partido dos Trabalhadores” (PT), um clone do Partido Trabalhador da Romênia Comunista. Com a recente inclusão da Argentina, onde a presidente, Christina Fernandez de Kirchner, está conduzindo o país a uma dobra marxista, o mapa da América Latina aparece, sobretudo, em vermelho.
Quando a “Teologia da Libertação” foi lançada no mundo, a KGB era um Estado dentro do Estado. Agora a KGB É o Estado. Mais de 6 mil antigos oficiais da KGB são membros dos governos local e federal da Rússia, e 70% de suas atuais figuras políticas tinham associações, de uma maneira ou de outra, com a KGB [10].
Logo que moveu seus quadros para dentro do Kremlin, a “nova” KGB/FSB decidiu enviar armas nucleares para armar a teocracia religiosa anti-americana que governa o Irã. Ao mesmo tempo, centenas de técnicos russos começaram a ajudar “mullahs” iranianos a desenvolver mísseis de longo alcance que podem carregar ogivas nucleares ou bacteriológicas a qualquer lugar do Oriente Médio e da Europa [11].
A antiga manipulação da religião promovida pela KGB se transformou em uma política externa letal da Rússia.
Notas:
[1]. Federalnaya Sluzhba Bezopasnost, Serviço de Segurança Federal da Federação Russa.
[2]. Seamus Martin, “Russian Patriarch was KGB agent, Files Say”. The Irish Times, 23 de Setembro, 2000. Publicado em [http://www.orthodox.net/russia/2000-09-23-irish-times.html].
[3]. “Russian Orthodox Church chooses between ‘ex-KGB candidates’ as patriarch,” Times Online, January 26, 2009. Christopher Andrew e Vasily Mitrokhin, The Mitrokhin Archive and the secret history of the KGB (New York, Basic Books, 1999).
[4]. Patriarca Kirril (Gunialev) [http://www.russia-ic.com/people/general/328/].
[5]. Karl Marx, “Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, 1843, que foi lançado um ano depois no próprio jornal de Marx, Deutsch-Französische Jahrbücher, uma colaboração com Arnold Ruge.
[6]. Herbert Romerstein, Soviet Active Measures and Propaganda, Mackenzie Institute Paper no. 17 (Toronto, 1989), pp. 14-15, 25-26. WPC Peace Courier, 1989, no. 4, in Andrew and Gordievsky, KGB, p. 629.
[7]. “Manipulation of the Russian Orthodox Church & the World Council of Churches,” publicado em [http://intellit.muskingum.edu/russia_folder/pcw_era/sect_16e.htm].
[8]. New Times (revista secreta da KGB publicada em inglês para consumo no Ocidente), Julho 25-31, ed. 1989.
[9]. “Liberation Theology by Joseph Cardinal Ratzinger,” Ratzinger Home Page, publicado em [http://www.christengom-awake.org/pages/ratzinger/liberationtheol.htm].
[10]. De acordo com Gary Kasparov, “KGB State,” parte das posições governamentais russas é ocupada por antigos oficiais da KGB. The Wall Street Journal, September 18, 2003, encontrado em [http://online.wsj.com/article_print/0,,SB10638498253262300,00.html].
[11]. William Safire, “Testing Putin on Iran, The New York Times, May 23, 2002, internet edition.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
As guerras não são "os maiores assassinos do século XX"
Publicado no "The Wall Street Journal" em 7 de Julho de 1986.
Este texto foi baseado num estudo piloto que subestima em mais ou menos 42% os resultados finais.
http://www.hawaii.edu/powerkills/WSJ.ART.HTM
As guerras não são "os maiores assassinos do século XX"
por R.J. Rummel
O século XX foi conhecido por suas guerras absolutas e sanguinolentas. A Primeira Guerra Mundial viu mais de nove milhões de pessoas morrerem em batalhas, um incrível recorde que foi ultrapassado décadas depois pelos 15 milhões de mortos ao fim da Segunda Guerra Mundial. No século XX até mesmo o número de mortos por revoluções e guerra civis chegou ao seu nível histório. No total, as batalhas deste século, contando todas as guerras internacionais e domésticas, revoluções e conflitos violentos, mataram 35.654.000 pessoas.
Apesar desta vasta quantidade de mortes em guerras durante o periodo de vida de algumas pessoas que ainda estão vivas, o mais inacreditável é o seguinte fato: a quantidade de mortos nesse século por governos absolutistas ultrapassa em muito a quantidade de mortos em todas as guerras, domésticas e internacionais. Na verdade, este número já se aproxima do que poderia ser morto numa possível guerra nuclear.
A Tabela 1 sumariza os totais relevantes e classifica pelo tipo de governo (seguindo a definição da Freedom House) e guerra. Ser morto por um governo significa qualquer assassinato por um agente governamental, diretamente ou indiretamente, ou ser morto com a conivência do governo. Porém, foi contabilizado apenas quando o número de mortos ultrapassa a casa das 1.000 pessoas, exceto execuções, que são consideradas atos criminais (assassinato, estupro, espionagem, traição etc...). Estas mortes são tratadas aparte da jornada de ações e campanhas militares, ou como parte de algum conflito. Por exemplo, os Judeus que Hitler devastou durante a Segunda Guerra Mundial seriam contabilizadas porque foram sistematicamente mortos e sem nenhuma relação com o conflito da Segunda Guerra Mundial.
Os totais da tabela são baseados num levantamento nação à nação e são absolutamentos as estimativas mais baixas possíveis, o que pode menosprezar por mais ou menos 10% ou até mais o valor real. Mesmo assim, essa estimativa não leva em consideração as penúrias de 1921-1922 e 1958-1961 da União Soviética e da China que causaram 4 milhões e 27 milhões de mortes cada uma. A penúria soviética foi causada principalmente pela imposição de um política econômica agricultural, confiscações forçadas de comida e campanhas de liquidações dos Chekas; a chinesa foi causada inteiramente pela destrutiva política do Mao conhecida como o "Grande Salto para Frente" e sua estratégia de coletivização.
Apesar disso, a tabela 1 inclui a fome generalizada planejada e administrada pelo governo Soviético na Ucrânia em 1932 como uma forma de quebrar a oposição e destruir o coletivismo Ucraniâno. Como aproximadamente uns 10 milhões de pessoas morreram de fome ou morreram por doenças relacionadas a fome, eu estimo que 8 milhões de pessoas morreram neste caso. Se tivessem sidos todos mortas com um tiro, o governo Soviético não poderia ter sido mais responsável moralmente pela tragédia.
A tabela lista 831 mil pessoas mortas pelas democracias livres, o que deve alarmar a maioria dos leitores. Essa estimativa envolve o massacre Francês na Algeria antes e durante a Guerra da Algéria (no mínimo 36 mil mortos) e todos aqueles mortos depois de terem sido repatriados para os Soviéticos pela Aliança Democrática durante e depois da Segunda Guerra Mundial.
É revoltante saber que por diversas vezes - e até mesmo ultrapassando o zelo pelo Acordo de Yalta assinado por Stalin - Churchill e Roosevelt, a Aliança Democrata, particularmente a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, devolveram aos Soviéticos mais de 2.250.000 cidadões, prisioneiros de guerra e exilados Russos (que não eram cidadões Soviéticos) encontrados nas zonas da Aliança por toda a Europa. A maioria dessas pessoas estava aterrorizada com as consequencias de ser repatriado e se recusou a cooperar; normalmente a família por completa comitia suicídio. Dos repatriados, estima-se que 795.000 foram executados ou morreram em campos de trabalho forçado (escravidão) ou a caminho deles.
Se um governo deve ser responsável pelos seus prisioneiros que morreram sendo carregados ou em campos de escravidão, certamente os governos democráticos que jogaram pessoas indefesas nas mãos de ditadores totalitários e que conhecia o perigo disto, devem ser responsabilizados por estes atos.
Sobre as estatísticas de mortalidade que são mostradas nesta tabela, é realmente triste que centenas de milhares de pessoas possam ser mortas pelos governos sem que seja gerado nem um murmurinho sequer, enquanto uma guerra que mata algumas milhares de pessoas cause um imediato clamor mundial e uma reação global. Contraste a atenção internacional para a relativamente pequena guerra nas Ilhas Falkland entre Inglaterra e Argentina com a total falta de interesse: no assassinato dos Burundis; ou com o interesse na morte de mais de 100.000 Hutus em 1972; ou então com o interesse da Indonésia massacrando 600.000 comunistas em 1965; ou então do Paquistão, em um bem planejado massacre, matando algo entre um e três milhoes de Bengalês em 1971.
Um exemplo digno de nota e muito mais sensível desta hipocrisia é a Guerra do Vietnã. A comunidade internacional ficou indignada com a tentativa Americana de prevenir que o Vietnã do Norte tomasse controle do Vietnã do Sul e depois do Laos e da Cambódia. "Pare a Matança" era o grito. A pressão da oposição, tanto interna quanto externa (em relação aos EUA), forçou a retirada das tropas Americanas. A quantidade de mortos na Guerra do Vietnã, nos dois lados, foi de mais ou menos 1.216.000 pessoas.
Com a subsequente recusa dos Estados Unidos de ajudar, mesmo modestamente, o Vietnã do Sul foi derrotado militarmente e totalmente engolido pelo Vietnã do Norte; a Cambódia foi tomada pelos comunistas do Khrmer Vermelho, que tentando recriar um comunismo primitivo sobre uma sociedade agrária dilaceraram algo entre um e três milhões de Cambojanos. Se pegarmos a média de 2.000.000 como a melhor estimativa, então em quatro anos o governo deste pequena nação de sete milhões de pessoas, sozinho matou 164% o que a guerra de dez anos no Vietnã matou.
No geral, a melhor estimativa dos mortos depois da Guerra do Vietnã pelos comunistas somando o Vietnã, Laos e Camboja é de 2.270.000. Ou seja, totalizando o dobro dos que morreram na Guerra do Vietnã, porém a matança comunista ainda continua.
Para ver esta hipocrisia por uma outra perspectiva, ambas Guerras Mundiais custaram vinte e quatro milhões de vidas em batalha. Porém, entre 1918 e 1953, o governo Soviético executou, dilacerou, esfomiou, torturou até a morte ou matou de forma geral 39.500.00 pessoas do seu próprio povo (minha melhor estimativa entre 20 milhões mortos somente pelo Stalin até um total de 83 milhões por todo o período comunista). Para a China sob o comando de Mao Tse-Tung, o governo comunista eliminou, mais ou menos 45.000.000 de chineses. O número de apenas estas duas nações é mais ou menos 84.500.000 de seres humanos, ou 352% mais mortes do que as duas Guerras Mundiais juntas. Ainda assim, têm os intelectuais pelo mundo mostrado o mesmo horror, a mesma raiva, a mesma quantidade torrencial de escritos pacifistas contra os mega-assassinos governos da União Soviética e da China?
Como pode ser visto na Tabela 1, governos comunistas são, em geral, quatro vezes mais letais para seus cidadões do que governos não comunistas, e numa relação per capita são praticamente duas vezes mais letais (mesmo considerando as imensas populações da Rússia e da China).
Porém, mesmo sendo enorme taxa per capita dos países comunistas, ela fica muito próxima de outros governos não-livres. Isso se deve ao fato dos massacres e da matança generalizada no pequeno país do Timer Leste, onde desde de 1975 a Indonésia eliminou (além da guerrilha e sua violência associada) mais ou menos 100.000 Timerenses, numa população de apenas 600.000 pessoas. Retirando apenas este pequeno país a taxa dos países não-livres e não-comunistas cai para 397 por 10.000, ou seja, muito menos do que os 477 por 10.000 dos governos comunistas.
Em todo caso, ainda podemos ver pela tabela que quanto mais livre é uma nação, menos pessoas são mortas pelo governo. As liberdades previnem o uso do poder pela elite governamental para aspirar suas políticas e garantir seu comando.
Este princípio aparamente foi violado nos dois casos supra-citados. Um foi o governo Francês que causou uma matança generalizada na sua colonia Algéria, onde comparados com os franceses, os algerianos eram cidadões de segunda classe, sem direito de voto nas eleições fancesas. No outro caso a Aliança Democrática durante e depois da segunda guerra mundial, de maneira secreta, devolveu diversos estrangeiros para os governos comunistas. Estes estrangeiros, claro, por serem estrangeiros não tinham nenhum direito como cidadões que os protegiam nas democracias. Porém não encontrei nenhum caso de governos democráticos que praticaram massacres, genocídios ou execuções em massa dos seus próprios cidadões; nem encontrei nenhum caso de uma política governamental que tenha causado de maneira conhecida e direta a more em larga escala da população por privação, tortura, espancamento etc...
Absolutismo não é somente muito mais mortal que guerras, como é a maior causa de guerras e outras formas de conflitos. É a maior causa da corrida armamentista. Na verdade, absolutismo, e não guerra, é o flagelo mais mortal criados pela humanidade.
Sabendo disto, a corrida e o estímulo por liberdades civis e direitos políticos de maneira pacífica e sem violência deve ser o nosso maior objetivo. Não somente pela maior felicidade, não somente para obedecer o imperativo moral dos direitos individuais, não somente pela superior eficiência e produtividade de uma sociedade livre, porém também e principalmente para preserver a paz e a vida.
Este texto foi baseado num estudo piloto que subestima em mais ou menos 42% os resultados finais.
http://www.hawaii.edu/powerkills/WSJ.ART.HTM
As guerras não são "os maiores assassinos do século XX"
por R.J. Rummel
O século XX foi conhecido por suas guerras absolutas e sanguinolentas. A Primeira Guerra Mundial viu mais de nove milhões de pessoas morrerem em batalhas, um incrível recorde que foi ultrapassado décadas depois pelos 15 milhões de mortos ao fim da Segunda Guerra Mundial. No século XX até mesmo o número de mortos por revoluções e guerra civis chegou ao seu nível histório. No total, as batalhas deste século, contando todas as guerras internacionais e domésticas, revoluções e conflitos violentos, mataram 35.654.000 pessoas.
Apesar desta vasta quantidade de mortes em guerras durante o periodo de vida de algumas pessoas que ainda estão vivas, o mais inacreditável é o seguinte fato: a quantidade de mortos nesse século por governos absolutistas ultrapassa em muito a quantidade de mortos em todas as guerras, domésticas e internacionais. Na verdade, este número já se aproxima do que poderia ser morto numa possível guerra nuclear.
A Tabela 1 sumariza os totais relevantes e classifica pelo tipo de governo (seguindo a definição da Freedom House) e guerra. Ser morto por um governo significa qualquer assassinato por um agente governamental, diretamente ou indiretamente, ou ser morto com a conivência do governo. Porém, foi contabilizado apenas quando o número de mortos ultrapassa a casa das 1.000 pessoas, exceto execuções, que são consideradas atos criminais (assassinato, estupro, espionagem, traição etc...). Estas mortes são tratadas aparte da jornada de ações e campanhas militares, ou como parte de algum conflito. Por exemplo, os Judeus que Hitler devastou durante a Segunda Guerra Mundial seriam contabilizadas porque foram sistematicamente mortos e sem nenhuma relação com o conflito da Segunda Guerra Mundial.
Os totais da tabela são baseados num levantamento nação à nação e são absolutamentos as estimativas mais baixas possíveis, o que pode menosprezar por mais ou menos 10% ou até mais o valor real. Mesmo assim, essa estimativa não leva em consideração as penúrias de 1921-1922 e 1958-1961 da União Soviética e da China que causaram 4 milhões e 27 milhões de mortes cada uma. A penúria soviética foi causada principalmente pela imposição de um política econômica agricultural, confiscações forçadas de comida e campanhas de liquidações dos Chekas; a chinesa foi causada inteiramente pela destrutiva política do Mao conhecida como o "Grande Salto para Frente" e sua estratégia de coletivização.
Apesar disso, a tabela 1 inclui a fome generalizada planejada e administrada pelo governo Soviético na Ucrânia em 1932 como uma forma de quebrar a oposição e destruir o coletivismo Ucraniâno. Como aproximadamente uns 10 milhões de pessoas morreram de fome ou morreram por doenças relacionadas a fome, eu estimo que 8 milhões de pessoas morreram neste caso. Se tivessem sidos todos mortas com um tiro, o governo Soviético não poderia ter sido mais responsável moralmente pela tragédia.
A tabela lista 831 mil pessoas mortas pelas democracias livres, o que deve alarmar a maioria dos leitores. Essa estimativa envolve o massacre Francês na Algeria antes e durante a Guerra da Algéria (no mínimo 36 mil mortos) e todos aqueles mortos depois de terem sido repatriados para os Soviéticos pela Aliança Democrática durante e depois da Segunda Guerra Mundial.
É revoltante saber que por diversas vezes - e até mesmo ultrapassando o zelo pelo Acordo de Yalta assinado por Stalin - Churchill e Roosevelt, a Aliança Democrata, particularmente a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, devolveram aos Soviéticos mais de 2.250.000 cidadões, prisioneiros de guerra e exilados Russos (que não eram cidadões Soviéticos) encontrados nas zonas da Aliança por toda a Europa. A maioria dessas pessoas estava aterrorizada com as consequencias de ser repatriado e se recusou a cooperar; normalmente a família por completa comitia suicídio. Dos repatriados, estima-se que 795.000 foram executados ou morreram em campos de trabalho forçado (escravidão) ou a caminho deles.
Se um governo deve ser responsável pelos seus prisioneiros que morreram sendo carregados ou em campos de escravidão, certamente os governos democráticos que jogaram pessoas indefesas nas mãos de ditadores totalitários e que conhecia o perigo disto, devem ser responsabilizados por estes atos.
Sobre as estatísticas de mortalidade que são mostradas nesta tabela, é realmente triste que centenas de milhares de pessoas possam ser mortas pelos governos sem que seja gerado nem um murmurinho sequer, enquanto uma guerra que mata algumas milhares de pessoas cause um imediato clamor mundial e uma reação global. Contraste a atenção internacional para a relativamente pequena guerra nas Ilhas Falkland entre Inglaterra e Argentina com a total falta de interesse: no assassinato dos Burundis; ou com o interesse na morte de mais de 100.000 Hutus em 1972; ou então com o interesse da Indonésia massacrando 600.000 comunistas em 1965; ou então do Paquistão, em um bem planejado massacre, matando algo entre um e três milhoes de Bengalês em 1971.
Um exemplo digno de nota e muito mais sensível desta hipocrisia é a Guerra do Vietnã. A comunidade internacional ficou indignada com a tentativa Americana de prevenir que o Vietnã do Norte tomasse controle do Vietnã do Sul e depois do Laos e da Cambódia. "Pare a Matança" era o grito. A pressão da oposição, tanto interna quanto externa (em relação aos EUA), forçou a retirada das tropas Americanas. A quantidade de mortos na Guerra do Vietnã, nos dois lados, foi de mais ou menos 1.216.000 pessoas.
Com a subsequente recusa dos Estados Unidos de ajudar, mesmo modestamente, o Vietnã do Sul foi derrotado militarmente e totalmente engolido pelo Vietnã do Norte; a Cambódia foi tomada pelos comunistas do Khrmer Vermelho, que tentando recriar um comunismo primitivo sobre uma sociedade agrária dilaceraram algo entre um e três milhões de Cambojanos. Se pegarmos a média de 2.000.000 como a melhor estimativa, então em quatro anos o governo deste pequena nação de sete milhões de pessoas, sozinho matou 164% o que a guerra de dez anos no Vietnã matou.
No geral, a melhor estimativa dos mortos depois da Guerra do Vietnã pelos comunistas somando o Vietnã, Laos e Camboja é de 2.270.000. Ou seja, totalizando o dobro dos que morreram na Guerra do Vietnã, porém a matança comunista ainda continua.
Para ver esta hipocrisia por uma outra perspectiva, ambas Guerras Mundiais custaram vinte e quatro milhões de vidas em batalha. Porém, entre 1918 e 1953, o governo Soviético executou, dilacerou, esfomiou, torturou até a morte ou matou de forma geral 39.500.00 pessoas do seu próprio povo (minha melhor estimativa entre 20 milhões mortos somente pelo Stalin até um total de 83 milhões por todo o período comunista). Para a China sob o comando de Mao Tse-Tung, o governo comunista eliminou, mais ou menos 45.000.000 de chineses. O número de apenas estas duas nações é mais ou menos 84.500.000 de seres humanos, ou 352% mais mortes do que as duas Guerras Mundiais juntas. Ainda assim, têm os intelectuais pelo mundo mostrado o mesmo horror, a mesma raiva, a mesma quantidade torrencial de escritos pacifistas contra os mega-assassinos governos da União Soviética e da China?
Como pode ser visto na Tabela 1, governos comunistas são, em geral, quatro vezes mais letais para seus cidadões do que governos não comunistas, e numa relação per capita são praticamente duas vezes mais letais (mesmo considerando as imensas populações da Rússia e da China).
Porém, mesmo sendo enorme taxa per capita dos países comunistas, ela fica muito próxima de outros governos não-livres. Isso se deve ao fato dos massacres e da matança generalizada no pequeno país do Timer Leste, onde desde de 1975 a Indonésia eliminou (além da guerrilha e sua violência associada) mais ou menos 100.000 Timerenses, numa população de apenas 600.000 pessoas. Retirando apenas este pequeno país a taxa dos países não-livres e não-comunistas cai para 397 por 10.000, ou seja, muito menos do que os 477 por 10.000 dos governos comunistas.
Em todo caso, ainda podemos ver pela tabela que quanto mais livre é uma nação, menos pessoas são mortas pelo governo. As liberdades previnem o uso do poder pela elite governamental para aspirar suas políticas e garantir seu comando.
Este princípio aparamente foi violado nos dois casos supra-citados. Um foi o governo Francês que causou uma matança generalizada na sua colonia Algéria, onde comparados com os franceses, os algerianos eram cidadões de segunda classe, sem direito de voto nas eleições fancesas. No outro caso a Aliança Democrática durante e depois da segunda guerra mundial, de maneira secreta, devolveu diversos estrangeiros para os governos comunistas. Estes estrangeiros, claro, por serem estrangeiros não tinham nenhum direito como cidadões que os protegiam nas democracias. Porém não encontrei nenhum caso de governos democráticos que praticaram massacres, genocídios ou execuções em massa dos seus próprios cidadões; nem encontrei nenhum caso de uma política governamental que tenha causado de maneira conhecida e direta a more em larga escala da população por privação, tortura, espancamento etc...
Absolutismo não é somente muito mais mortal que guerras, como é a maior causa de guerras e outras formas de conflitos. É a maior causa da corrida armamentista. Na verdade, absolutismo, e não guerra, é o flagelo mais mortal criados pela humanidade.
Sabendo disto, a corrida e o estímulo por liberdades civis e direitos políticos de maneira pacífica e sem violência deve ser o nosso maior objetivo. Não somente pela maior felicidade, não somente para obedecer o imperativo moral dos direitos individuais, não somente pela superior eficiência e produtividade de uma sociedade livre, porém também e principalmente para preserver a paz e a vida.
TABELA 1
terça-feira, 22 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Subversão Soviética do Mundo Livre - Entrevista com Yuri Bezmenov (ex-Agente da KGB)
Vídeo
domingo, 30 de outubro de 2011
O homem da KGB
By Ion Mihai Pacepa
The Wall Street Journal, Segunda-Feira, 22 de Setembro de 2003
http://online.wsj.com/article_email/SB106419296113226300-H9jeoNjlaZ2nJ2oZnyIaaeBm4.html
The Wall Street Journal, Segunda-Feira, 22 de Setembro de 2003
http://online.wsj.com/article_email/SB106419296113226300-H9jeoNjlaZ2nJ2oZnyIaaeBm4.html
O governo de Israel votou para expulsar Yasser Arafat, chamando-o de obstáculo para a paz. Porém, o velho líder palestino de 72 anos é muito mais do que isso; ele é um terrorista de carteira assinada, treinado, armado e financiado pela União Soviética e seus satélites por décadas.
Antes de eu deserdar da Romênia para a América, deixando meu cargo de chefe da inteligência Romena, fui o responsável por dar ao Arafat, todo santo mês por toda a década de 70, uma quantia em torno de $200,000. 00 em dinheiro lavado. Também enviei dois aviões de carga carregados com uniformes e suplementos por semana para Beirute. Outros blocos soviéticos também faziam o mesmo. Terrorismo tem sido extremamente lucrativo para Arafat. De acordo com a revista Forbes, hoje ele é o sexto mais rico do mundo na categoria "Reis, Rainhas e Déspotas", com mais de 300 milhões de dólares nos bancos suíços.
"Eu inventei o sequestro de aviões de passageiros", se gabava Arafat quando eu o encontrei pela primeira vez no quartel da PLO (Organização pela Libertação da Palestina – Palestine Liberation Organization) no início da década de 1970. Ele gesticulava em direção a uma pequena bandeira vermelha presa a um mapa-múndi preso numa parede que continha Israel nomeada como Palestina. "Ali estão todos eles" me disse de maneira orgulhosa. A dúbia honra de sequestrar aviões, na verdade, vai para KGB que primeiro sequestrou um avião de passageiros dos EUA em 1960 para Cuba. A inovação de Arafat foi transformar o avião sequestrado numa bomba suicida, um conceito de terror que culminou nos atentados de 11/9.
Em 1972, o Kremlin elevou a prioridade do Arafat e da sua rede de terror na lista de prioridade, incluindo a minha lista. A tarefa de Bucareste era de integrá-lo com a Casa Branca. Nós éramos o bloco com maior experiência nisso. Nós já tínhamos grandes sucessos em fazer Washington - assim como os acadêmicos esquerdistas da moda - acreditarem que Nicolae Ceausescu era, como Josip Broz Tito, um comunista "independente" e "moderado".
O chefe da KGB, Yuri Andropov, em fevereiro de 1972 riu sobre o gosto dos Yankees com celebridades. Nós transcendemos os cultos Stalinistas de personalidade , mas aqueles americanos loucos ainda eram iniciantes o suficiente para reverenciar líderes nacionais. Nós transformaríamos Arafat numa figura central e gradualmente moveríamos a PLO cada vez mais para perto do poder e do Estado. Andropov achava que o Vietnã - o desgaste da guerra faria que os Americanos aceitassem o menor dos sinais de conciliação para promover Arafat de terrorista para um homem de Estado na esperança pela paz.
Logo após aquela reunião, eu recebi a ficha pessoal que a KGB fez do Arafat. Ela era um burguês egípcio que se tornou um devoto marxista pela inteligência da KGB. A KGB o treinou na escola de operações especiais da Balashikha (ao leste de Moscou) e no meio da década de 1960 decidiu treiná-lo como o futuro líder da PLO. Primeiro, a KGB destruiu todos os documentos oficiais sobre o nascimento de Arafat em Cairo, os substituindo por documentos fictícios de que ele teria nascido em Jerusalém e portanto era um palestino por nascimento.
O departamento de desinformação da KGB então trabalhou no tratado do Arafat chamado "Falastinuna" (Nossa Palestina), originalmente com quatro páginas, transformando-o numa revista mensal de 48 páginas para a organização terrorista palestina Al-Fatah. Arafat tem chefiado a Al-Fatah desde 1957. A KGB distribuiu esta revista pelo mundo árabe e pela Alemanha Oriental, que naquela época abrigava diversos estudantes palestinos. A KGB era adepta a publicar e distribuir revistas; ela tinha diversos periódicos similares em várias línguas para suas organizações principais na Europa ocidental, como a "World Peace Council" e a "World Federation of Trade Unions".
Depois, a KGB deu a Arafat uma ideologia e uma imagem, assim como fez com as organizações comunistas internacionais que eram julgadas leais. Um elevado idealismo não agradava as massas no mundo árabe, por isso a KGB moldou Arafat como um intenso antissemita. Eles também selecionaram um herói pessoal para o Arafat - o grande Mufti Haj Amin Al-Husseini, o homem que visitou Auschwitz no final da década de 1930 e reprovou os alemães por terem matado poucos judeus. Em 1985 Arafat pagou uma homenagem ao Mufti, dizendo que era um orgulho sem fim seguir os passos do Mufti.
Arafat é uma importante cobertura para as operações da KGB. Logo após a Guerra dos Seis Dias em 1967 entre os árabes e Israel, Moscou agendou uma reunião com o chefe da PLO. O líder egípcio Gamal Abdel Nasser, uma marionete soviética, foi quem marcou esta reunião. Em 1969, a KGB pediu que Arafat declarasse guerra contra o imperialismo-sionista americano durante o primeiro encontro Black Terrorist International, uma organização neofacista e pró-palestina financiada pela KGB e por Moammar Gadhafi da Líbia. Arafat, mais tarde proclamou que ele inventou a guerra contra o imperialismo-sionista. Na verdade, imperialismo-sionista foi uma invenção de Moscou, uma adaptação moderna dos "Protocolos dos Sábios de Sion", uma ferramenta de longa data da inteligência Russa para espalhar ódio étnico. A KGB sempre utilizou antissemitismo e anti-imperialismo como uma rica fonte de antiamericanismo.
O arquivo da KGB sobre o Arafat continha também que no mundo árabe, somente pessoas com extraordinário talento para enganar poderiam alcançar um alto status. Nós romenos éramos direcionados a ajudar o Arafat a melhorar "seu extraordinário talento em enganar”. O chefe da inteligência estrangeira da KGB, General Aleksandr Sakharosvy, nos ordenou que encobríssemos as operações terroristas do Arafat, enquanto ao mesmo tempo construíssemos sua imagem internacional. "Arafat é um grande estadista", sua carta concluía, "e nós devemos utilizá-lo bem". Em março de 1978 eu secretamente trouxe Arafat para Bucareste para umas instruções finais de como se comportar em Washington. "Você simplesmente deve continuar fingindo que vai quebraras relações com os terroristas e que vai reconhecer Israel -- de novo, de novo e de novo..." Ceausescu lhe disse pela enésima vez. Ceausescu ficou eufórico ao falar que tanto ele quanto Arafat poderiam ganhar o Prêmio Nobel da Paz com suas falsas imagens.
Em abril de 1978 eu acompanhei Ceausescu até Washington, onde encontramos com o presidente Carter. Arafat, ele encorajou, transformaria sua brutal PLO em um reino das leis e numa espécie de governo-em-exílio se os EUA conseguissem estabelecer relações oficiais com Arafat. A reunião fui um tremendo sucesso para nós. Carter cumprimentou Ceausescu, ditador do estado policial mais repressivo do Leste Europeu, de "um grande líder nacional e internacional" que tinha "pego o papel de líder em toda comunidade internacional". Triunfante, Ceausescu trouxe para casa um comunicado que o presidente americano atestava que a relação amistosa com Ceausescu servia a "causa do mundo".
Três meses depois eu fui agraciado com o asilo político pelos EUA. Ceausescu falhou em conseguir o seu Nobel da Paz. Porém em 1994, Arafat conseguiu o dele - tudo porque ele continuou fazendo o papel que lhe tinham dado com perfeição. Ele transformou sua organização terrorista numa espécie de governo-em-exílio (a Autoridade Palestina), sempre fingindo que iria fazer o chamado para o fim do terrorismo palestino enquanto o deixava rolar solto. Dois anos após assinar o Acordo de Oslo, o número de israelenses mortos por palestinos aumentou em 73%.
Em 23 de outubro de 1998, o presidente Clinton concluiu suas observações públicas sobre Arafat o agradecendo por "décadas e décadas e décadas pelo trabalho sem descanso da longa caminhada dos palestinos para serem um povo livre, autossuficiente e possuir uma casa". A administração atual compreende a charada que é o Arafat, mas não irão publicamente apoiar sua expulsão. Enquanto isso, os terroristas consolidaram seu comando na Autoridade Palestina e recrutaram jovens seguidores para mais ataques suicidas.
O Senhor Pacepa foi o maior oficial de inteligência que desertou do bloco Soviético. Ele é autor do livro "Red Horizons" (1987 ).
sábado, 10 de setembro de 2011
Red Cocaine - Capítulo 3 - Construindo a Rede das Drogas da América Latina
Por favor, avisem-me caso encontrem qualquer erro de tradução ou de português.
Red Cocaine - Capítulo 3 - Construindo a Rede das Drogas da América Latina
O braço tcheco
da ofensiva das drogas soviética começou em 1960 em duas frentes: Ásia
(Indonésia, Índia e Burma) e a América Latina (Cuba). Por causa do importante
papel de Cuba para o crescimento do uso de drogas ilegais e de narcóticos nos
Estados Unidos, a operação soviética-cubana-tcheca merece uma atenção especial.
No final do
verão de 1960, apenas um ano e meio após Fidel Castro conquistar o poder, seu
irmão Raul Castro visitou a Checoslováquia em procura de ajuda militar e
assistência financeira. Naquela época, Fidel e os soviéticos se odiavam. Por
essa razão os cubanos procuraram a Checoslováquia e não a União Soviética.
Sejna foi o responsável por receber a delegação cubana e foi o seu anfitrião
durante a visita. Uma de suas primeiras ações foi arrumar uma visita do Raul à
União Soviética para conhecer Khrushchev.
Seguindo essa visita, os soviéticos
direcionaram os tchecos para trabalhar com os cubanos e pavimentar o caminho
para uma tomada soviética de Cuba. Os soviéticos queriam que a Checoslováquia
liderasse a tomada, porém escondendo a influência soviética. Eles não queriam
que Fidel Castro ficasse sabendo da operação soviética para infiltrar e tomar cuba
e não queriam que os Estados Unidos ficassem sabendo o que estava acontecendo.
Cuba e a Checoslováquia
assinaram um acordo onde a Checoslováquia iria prover ajuda militar a Cuba,
treinar os cubanos em planejamento e operações militares e ajudar organizar a
inteligência e a contra inteligência cubana. Em troca, Cuba aceitou se tornar o
centro revolucionário no Ocidente e permitiu que a Checoslováquia estabelecesse
estações de inteligência em Cuba. Dezesseis conselheiros tchecos foram para
cuba para prover treinamento e estabelecer as operações de inteligência e
contra inteligência.
Aproximadamente quinze por cento dos conselheiros tchecos
eram agentes da inteligência soviética disfarçados de tchecos. Em três anos,
todos os tchecos em posições chaves seriam trocados por soviéticos. Assim, desde
o princípio, a inteligência cubana e suas estruturas militares foram fortemente
influenciadas pelos soviéticos. Em menos de dez anos, os soviéticos estavam em
total controle.
Depois que
os primeiros cubanos foram treinados como agentes de inteligência, eles
receberam suas primeiras ordens de Moscou pela Checoslováquia: infiltrar nos
Estados Unidos e em todos os países da América Latina para produzir e
distribuir drogas e narcóticos nos Estados Unidos. As instruções do Conselho de
Defesa Soviético foram para o conselho de Defesa Tcheco e depois para Cuba.
Conselheiros Tchecos ajudaram os cubanos a iniciar a produção de drogas e
narcóticos como prioridade máxima e também ajudaram eles a criar as rotas de
transporte pelo Canadá e pelo México, onde os Tchecos tinham boas redes de
agentes, para dentro dos Estados Unidos. Rudolph Barak, o Ministro do Interior
da Checoslováquia e logo o chefe da inteligência civil, pessoalmente ajudou os
cubanos a estabelecerem a operação. Desde o princípio, Barak estava
constantemente empurrando Soviéticos para cada vez mais longe. Ele queria
acelerar a produção e fazer um melhor uso da rede de agentes Tchecos na América
Latina, Ásia, Áustria e Alemanha Ocidental.
A produção
e o tráfico de drogas por Cuba só começaram após as instruções terem sido recebidas
do Conselho de Defesa Soviético para expandir a ofensiva. Em 1961, a Checoslováquia
recebeu instruções do Conselho de Defesa Soviético para a inteligência cubana
infiltrar as operações existentes na América Latina e nos Estados Unidos para
preparar a base e recrutar pessoas para essas operações independentes. A ordem
foi apresentada pelo Conselho de Defesa da Checoslováquia e pelos Ministros da
Defesa e Do Interior. Como secretário do Conselho de Defesa da Checoslováquia,
Sejna foi responsável por coordenar e agendar as direções e atribuições
subsequentes. O plano tcheco para pôr em prática a ordem foi coordenado e
aprovado pelos Órgãos Administrativos do Comitê Central do Partido Comunista da
União Soviética.
O principal
objetivo da infiltração foi obter informações sobre indivíduos que foram
corrompidos pelas drogas e pelo tráfico de narcóticos. Os principais alvos
identificados eram os militares, policiais, políticos, religiosos e executivos.
Alguns alvos adicionais eram as instituições científicas, indústrias militares
e universidades. Um objetivo secundário era obter inteligência sobre a produção
e distribuição de drogas que já existia, para habilitar os soviéticos a exercer
o controle estratégico e ajudar a prevenir que as várias infiltrações paralelas
atrapalhassem umas às outras. Inteligência derivada das infiltrações no crime
organizado também contribuiu para esse objetivo. A primeira reunião para
coordenar a infiltração e a coleta de dados sobre drogas e a corrupção gerado
pelos narcóticos que Sejna sabe ocorreu em 1962 durante a Segunda Conferência
de Havana. Uma reunião secreta dos soviéticos e dos agentes da inteligência
treinados pelos soviéticos e de todas as organizações Latinas Americanas. Essa
reunião secreta foi organizada pela inteligência cubana e tcheca. Oficiais tchecos
dos serviços de inteligência militar, Zs, organizaram a reunião. Outros
oficiais tchecos que participaram da reunião foram: o Ministro do Interior, da
Segunda Administração (a organização equivalente da KGB na Checoslováquia) e a
contra inteligência militar.
Na coleta
de dados sobre indivíduos corrompidos pelo tráfico de drogas, tanto usuários de
drogas como os que estavam lucrando com o tráfico, os soviéticos identificaram
um grande número de pessoas que poderiam ser compradas, que eram suscetíveis à
influência e, principalmente, “não estavam preocupadas com as consequências de
suas ações”. As informações do dossiê continham bases excelentes para recrutamento
de “agentes de influência” ou espiões. Essa informação também foi utilizada
para expor e prejudicar a reputação de indivíduos e organizações consideradas
hostis aos interesses soviéticos.
O uso de
informação sobre corrupção para chantagear e para recrutar agentes de
influência é uma velha tática do Marxismo-Leninismo que foi utilizada em escala
global. A inteligência tcheca dividiu esses dossiês sobre corrupção em duas
categorias: pessoas que já estão em posição de poder e pessoas que
potencialmente chegarão a posições de poder. Em 1967, a inteligência tcheca
possuía 2500 dossiês sobre pessoas do alto escalão. Seus arquivos não permitiam
duplicação de dossiês mantidos pelos outros que estavam ativos na América
Latina – os cubanos, alemães orientais, húngaros, búlgaros e soviéticos – por
causa da cooperação desses serviços de inteligência. Assim, no final da década
de 1960, os soviéticos já possuíam dados sobre corrupção de mais de 10.000
pessoas influentes pela América Latina.
Como um
indicativo que esses números não são exagerados, em 1971 um francês chamado
Batkoun foi pego traficando heroína para dentro do Canadá. Ele foi deportado
para a França e julgado lá por tráfico de heroína. Durante o julgamento,
Batkoun foi identificado como um membro do Partido Comunista da França e agente
da subseção "Groupement Cinq” da KGB soviética. Valeurs Actuelles reportou
que quando preso, Batkoun tinha em mãos uma lista com mais de dois mil viciados
em heroína no Canadá, dentre eles proeminentes civis, artistas, apresentadores
de TV e professores universitários.
Corrupção,
claro, não está confinada na América Latina, mas inclui a América do Norte e os
países europeus como França, Suécia, Áustria, Suíça, Itália, Reino Unido e a
Alemanha, onde estes dois últimos foram identificados pelo líder do
Departamento Internacional do Partido Comunista da União Soviética, Boris
Ponomarev, como os mais corruptos. Sabendo que as instituições financeiras que
lavam esse dinheiro ilícito fazem parte desta rede de corrupção, o potencial
para os soviéticos de praticarem chantagem e influenciarem em diversas
operações é infinito. Aliás, como veremos posteriormente, parte da estratégia soviética
em envolver pessoas com influência no tráfico de drogas, especialmente pessoas
em bancos, intuições financeiras, políticos, militares e executivos
industriais, foi precisamente para abrir uma potencial chance para chantagear e
influenciar certas operações.
Conhecimento
das operações dos vários traficantes independentes, suas redes de tráfico, seus
contatos, também foram utilizados para o objetivo mencionado anteriormente,
para exercer controle estratégico sobre certas operações. No geral, os soviéticos
não queriam ou não precisaram de um controle tático, das operações do
dia-a-dia. Enquanto as drogas e os narcóticos estivessem indo na direção certa,
para as sociedades burguesas, os objetivos soviéticos estão sendo alcançados. O
importante para os soviéticos é prevenir que estas atividades interfiram com
outras operações soviéticas e certamente prevenir que essas operações façam o
holofote dos jornalistas apontem na direção errada.
As
informações coletadas por esse processo são impressionantes. Em 1963, o General
Sejna, o Ministro da Defesa e chefe da inteligência Militar visitou o centro de
treinamento de traficantes de drogas da Zs na Bratislava. Seu anfitrião e
acompanhante foi o Coronel Karel Borsky, o responsável pelos centros de
treinamento. Na época, Sejna ficou impressionado pelo nível de detalhe sobre a
rede de tráfico ao redor do mundo que o curso continha, principalmente pelos
detalhes sobre a América Latina. Por exemplo, uma grande quantidade de
informação foi adquirida em inúmeras empresas do México onde a principal
atividade era contrabando de drogas - incluindo fotos dos caminhões e os nomes
dos motoristas usados no transporte da droga para os Estados Unidos.
Armado com
o conhecimento de como as operações com drogas funcionam, os soviéticos observam
uma operação e exercem controle somente quando necessário. O potencial para o
controle estratégico é evidente quando se analisa o testemunho dado em 1983
pelo Juan Crump, um advogado colombiano e traficante de drogas. Respondendo o
Senador Dennis DeConcini (Democrata - Arizona) sobre a importância dos contatos
com os oficiais colombianos, Crump respondeu que contatos (suborno) era
essencial para existir e sobreviver. Os soviéticos por esses conhecimentos e
pela inteligência sobre suas atividades ilegais, eles conseguiam exercer
controle sobre os traficantes independentes quando necessário.
Outro
mecanismo empregado para lidar com organizações e indivíduos que não cooperam é
armar para serem pegos pelas autoridades. É especulado que isso que tenha habilitado
aos EUA ter trazido o super traficante colombiano Carlos Lehder Rivas para ser
julgados nos EUA. As possíveis causas da traição são fáceis de imaginar. Por
exemplo, tantos os soviéticos como os outros membros do Cartel de Medellín
podem ter chegado à conclusão que Lehder estava falando demais, politizado
demais. Lehder estava dando entrevista a rádios e chamando a cocaína da
"bomba atômica da América Latina". Cocaína era uma arma da revolução
a ser utilizada contra os imperialistas, ele explicava. O problema com isso é
que estava chamando a atenção de maneira desnecessária para as operações de
drogas, especialmente ao Cartel de Medellín que ele participava, e estava perto
demais da verdade das Operações Soviéticas. Assim qualquer parte pode ter decidido
calá-lo. A beleza é que, o entregando as autoridades americanas, estas tinham
suas imagens melhoradas, apesar de estarem agindo como agentes disciplinadores
dos outros traficantes.
Outro
exemplo desta prática foi dado por Ramom Milian Rodriguez, um CPA de Miami que
administrou uma boa parte do dinheiro do tráfico ganho pelo Cartel de Medellín
da Colômbia. Na tentativa de sair com $5.3 milhões de dólares dos Estados
Unidos em 1983, ele acabou sendo preso e acusado de estelionato. Rodriguez foi
empregado pelo cartel para arrumar pontos seguros para coletar, contar e
empacotar o dinheiro. Ele conseguiu depois arrumar um esquema de envio do
dinheiro, um complexo processo par lavagem do dinheiro utilizando vários
bancos. Todos os bancos no Panamá eram utilizados por Rodriguez neste processo.
Eventualmente, ele explicou, grande parte do dinheiro que chegava até ele era
investido em imóveis, ações, títulos de dívida pública para o cartel. Quando
Rodriguez criou esta operação, Manuel Antônio Noriega era um coronel
responsável pelo serviço de inteligência do Panamá. Rodriguez testemunhou para
um subcomitê do Senado Americano em 1988 que o Noriega "utilizou magistralmente
as agências de repressão americana para me retirar da operação, deixando esta
intacta e operante". A denúncia para a prisão de Rodriguez foi uma ligação
anônima, na teoria enviada por Noriega, do Panamá para o Esquadrão do Sul da
Flórida sobre drogas, alertando para os planos de Rodriguez. Porém há outras
possibilidades a serem consideradas. Rodriguez se declarou ser fortemente anticomunista.
Em 1980 ou 1981, a inteligência cubana, a DGI, tentou recruta-lo para uma
operação, mas ele havia negado. Mais ou menos ao mesmo tempo, havia começado
uma guerra entre o Cartel de Medellín e os revolucionários do M-19
(patrocinados pelos cubanos). Rodriguez disse que aconselhou o Cartel em como
lutar utilizando táticas terroristas e aconselhou a não cooperar com o M-19
assim que a guerra estivesse resolvida. Ele também avisou ao Cartel sobre as
táticas da inteligência cubana que ele viu sendo tomado para penetrar e
controlar o Cartel. Finalmente, ele explicou como era especialmente cuidadoso
nas negociações com Noriega para garantir que "Noriega fosse poderoso o
suficiente para nos servir e nunca poderoso o suficiente para nos
controlar". Enquanto a ligação que denunciou Rodriguez pode ter vindo de
Noriega, sobre estas circunstâncias é logico suspeitar que a inteligência cubana
ou soviética esteve por detrás de tudo.
Usando as informações
ganhas com a infiltração nas organizações de drogas, os Soviéticos não tinham
nenhuma necessidade em ter controle direto (tático) de todas as operações na
América Latina. Na verdade, seria até melhor manter certa distância e que alguns
dos infiltrados nem soubessem que os Soviéticos exerciam controle quando
necessário. Esse princípio operacional pode ser visto em uma resolução secreta
adotada na Conferência Tri-Lateral de Cuba em 1966, que a lista como o sexto
princípio operacional:
"Para
resguardar a campanha dos viciados em drogas, devemos defendê-la em nome dos
direitos individuais. Devemos manter o Partido Comunista afastado dos canais do
narcótico e do tráfico, para que as fontes de entrada de dinheiro não possam
ser conectadas com as ações revolucionárias do Partido Comunista. Apesar disto,
devemos combinar a fomentação do medo da guerra atômica com o pacifismo e a
desmoralização dos jovens com os agentes alucinógenos."
Seguindo a
decisão de possuir agentes de inteligência Cubana infiltrado em todas as
operações na América Latina, o Conselho de Defesa dos Soviéticos deu mais
instruções, novamente pelo Conselho de Defesa da Checoslováquia, desta vez para
Cuba estabelecer sua própria produção e pôr em operação em vários países da
América Latina. Cuba se moveu rapidamente para estabelecer suas atividades com
narcóticos no México e na Colômbia. A rede resultante foi operada por
Colombianos porém foi dirigida por Cubanos. A inteligência Tcheca ajudou a estabelecer
as operações e os Soviéticos estavam envolvidos tanto no planejamento como na
aprovação das operações. Assim que os novos empreendimentos começaram a
acontecer no México e na Colômbia, os Cubanos, com ajuda dos Tchecos,
expandiram para o Panamá e para a Argentina, e, com a assistência da Alemanha
Oriental, para o Uruguai e Jamaica.
Cuba e a Checoslováquia
também desenvolveram uma operação conjunta no Chile. Danislav Lhotsky, um
agente da inteligência Tcheca, estava oficialmente no Chile supostamente para
discutir problemas econômicos. Suas instruções eram para desenvolver, junto dos
Cubanos, a produção e distribuição das redes no Chile e depois expandir esta
rede para a Argentina e para o Brasil. Quando Lhotsy retornou para a Checoslováquia
em 1967, ele foi premiado com o prêmio "Ordem da Estrela Vermelha"
pelo seu ótimo trabalho construindo a rede de drogas no Chile.
Uma das
principais contribuições de Cuba na operação de drogas no Chile - identificado
pelo relatório da Administração para Aplicação de Políticas de Drogas - foi o
recrutamento do senador marxista Salvador Allende, que mais tarde se tornaria
presidente do Chile. Allende foi também presidente da Conferência Tri-Lateral.
Ele propôs a criação da OLAS - Organização de Solidariedade na América Latina -
como uma "unida frente advogando a revolução armada" e foi eleito
como seu primeiro líder. Durante a presidência do Allende, o tráfico de drogas
floresceu no Chile. Em 1973, as autoridades dos EUA mensuraram que US$309
milhões em cocaína foram produzidas em laboratórios Chilenos.
Na
Argentina, as operações de drogas da Checoslováquia foram estabelecidas por um
dos seus principais agentes, Oldrick Limbursky, que estava alocado na Argentina
como um representante de uma companhia de exportação Tcheca. Ele construiu a
rede de drogas na Argentina e depois a expandiu para o Brasil.
Resumindo,
os Cubanos foram extremamente eficientes em estabelecerem as operações por toda
a América Latina. Tanto Fidel como o Raul Casto eram entusiastas e se
esforçaram para que as atividades expandissem muito mais rápido do que os
Soviéticos achassem prudente. A primeira visita do Fidel Castro a Checoslováquia
foi bastante notável neste aspecto. Sua visita coincidiu com uma posterior visita
a Moscou e logo em seguida com a Crise dos Mísseis em Cuba. Ele estava perturbado,
para não dizer coisa pior, e gastou mais de dez dias reclamando que os
principais líderes Soviéticos não o consultavam para nada. Logo em seguida ele
voltou para a Checoslováquia.
As conversas
com Fidel eram em sua maioria complicadas, Sejna explica. Fidel achava que
podia destruir o capitalismo de um dia para outro. Ele queria utilizar a rede
criminosa para a revolução e usar todo o conhecimento das pessoas que já
estavam corrompidas pelas drogas, que estavam chegando pelas operações secretas
Cubanas, para aumentar a venda das drogas. “As drogas irão nos ajudar”, Sejna
lembra do Fidel gostava de enfatizar, “na nossa defesa, para obtenção de
dinheiro e para liquidar o capitalismo”. Fidel era completamente empenhado.
Este episódio, na verdade, era uma das razões que os soviéticos o tinham mais
como um Anarquista do que como um Comunista. Os oficiais checos tiveram muito
trabalho para convencê-lo que ele precisava se preparar para os próximos 20
anos e não somente para o dia seguinte. Não é possível, eles lembravam, trocar
toda a geração mais antiga. Nós podemos corrompê-los e explorá-los utilizando o
crime para obter mais informações e para influenciar as decisões. Mas o foco
para a mudança significativa precisa ser nas gerações mais jovens. Essas são as
pessoas que precisamos trabalhar para mudar o exército, para retardar o
desenvolvimento científico e para influenciar as lideranças governamentais. Por
isso, a juventude americana foi selecionada como principal alvo da ofensiva com
as drogas.
Para
conseguirem comunicar as estratégias mais importantes e da melhor maneira possível
para o Fidel, os oficiais Checos organizaram um relatório detalhado sobre a
estratégia do Khrushchev da “coexistência pacifica”, a mesma que foi
desenvolvida e explicada para os mais importantes oficiais Checos em 1954; a “coexistência
pacífica” não existia para eles virarem amigos dos americanos, mas sim para leva-los
à destruição mais rapidamente. Toda a operação foi feita para que o Fidel
conseguisse entender que deveria utilizar as estratégias das drogas totalmente integrada
à estratégia geral, e que por isso, não fazia sentido isolar as operações com
as drogas e tratar o tráfico de drogas como uma operação independente. O
tráfico de drogas foi pensado como uma parte importante na coordenação da
estratégia geral, e era fundamental que o Fidel conseguisse entender a
importância desta operação no longo prazo, que era, na verdade, a sistemática
destruição do capitalismo.
Além da produção
e do tráfico, Cuba também se envolveu em pesquisa e desenvolvimento de novas
drogas. No inverno de 1963, um substituto do Raul Castro foi para a
Checoslováquia para conseguir ajuda em forma de equipamentos para produzir
drogas na Colômbia a para produzir drogas sintéticas como parte de um
experimento em Cuba. O equipamento foi pego por Raul Castro somente em 1964,
quando ele parou em Praga após uma visita a Moscou. Logo após isso, o chefe do
Departamento de Saúde da Checoslováquia, o coronel-general Miroslav Hemalla
acompanhado de dois subordinados e dois técnicos, voou para Cuba para assinar
um tratado de cooperação na área Médica (apenas um disfarce para pesquisas
utilizando drogas), para ensinar os Cubanos a operar as máquinas, e para instruir
o Fidel a começar a produção de drogas na República Dominicana. Está tática
fazia parte da estratégia Soviética de sempre produzir as drogas o mais
localmente possível, ao invés de transportá-las da União Soviética e do Leste
Europeu. Os Cubanos deviam ser utilizados como os operadores, para manter os
Soviéticos “limpos”.
Seguindo
estas e outras medidas para penetrar nas organizações criminosas e para
instalar as operações de Cuba por toda a América Latina, os Soviéticos ordenaram
outra operação de backup e outras redes de distribuição por toda a região –
esta organizada diretamente por serviços selecionados do Leste Europeu. O
primeiro alvo da Checoslováquia foi a Colômbia. Para começar as operações, os
Soviéticos recomendaram que os Checos deveriam contratar um dos principais
indivíduos da rede Cubana na Colômbia, um militar aposentado que se apresentava
pelo nome de Kovaks. O codinome desta operação secreta na Colômbia foi “Pirâmide”,
que tinha a ideia de confundir as pessoas como se fosse uma operação do Oriente
Médio. O oficial Checo em cargo desta operação foi o primeiro substituto do
gabinete do Ministério do Interior. Logo após esta operação, ele foi nomeado
Ministro do Interior. Por incrível que pareça, muitos do Ocidente nem sequer
percebiam que a função do Ministro do Interior não era tomar conta dos rios e
parques, o que acontece na maioria dos países ocidentais, mas sim da “segurança
interna”, ou seja, inteligência civil e operações secretas.
O plano
final que ele trouxe consigo, que iria iniciar novas operações na Colômbia, foi
primeiramente levado aos Soviéticos para aprovação. Depois disso, o plano,
modificado em última hora para incorporar sugestões soviéticas foi apresentado
ao Conselho de Defesa da Checoslováquia. O plano continha várias diretrizes,
além de várias estimativas, onde as mais importantes eram:
1. Com a ajuda para obter os equipamentos
necessários, a produção de cocaína começaria em seis meses;
2. A rede de distribuição estava
funcionando em menos de seis meses;
3. A distribuição começaria nos Estados
Unidos e no Canadá. Mais tarde, a distribuição poderia ir para a Europa;
4. A distribuição seria mantida a
distância do mercado interno;
Na
apresentação do plano conjunto do Ministério da Defesa e do Ministério do
Interior, o ministro da defesa explicou que já haviam sido selecionados doze
pessoas para a operação. Dentre esses, oito já haviam possuído permissão para
operar por duas vias; primeiro, pelo Partido Comunista da Colômbia, e Segundo por
um já antigo agente da inteligência Checa que estava alocado como um oficial de
alta patente no Ministério da Segurança da Colômbia. O plano foi unanimemente
aceito pelo Conselho de Defesa da Checoslováquia.
Por causa
da operação mais efetiva que estava se desenvolvendo no México, os Soviéticos
direcionaram os Checos para infiltrar e ganhar controle da operação. O codinome
secreto desta operação foi “Rhine”, para que a operação fosse associada a
Europa. O agente Checo selecionado para esta iniciativa foi o Major Jidrich
Strnad, que estava operando no México sobre o disfarce de uma empresa de
exportação. Seu chefe da Zs era o Coronel Borsky.
Os Cubanos
foram especialistas em recrutar Mexicanos para estabelecer a produção e a rede
de distribuição e utilizar as informações obtidas através da corrupção para
chantagear os oficiais Mexicanos. Os Soviéticos ficavam impressionados, e um
dos principais motivos para direcionar a inteligência Checa para infiltrar as
operações Cubanos era para aprender os segredos do sucesso no México.
Reconhecendo
a posição estratégica do México, os soviéticos direcionaram o estabelecimento
de uma segunda operação Checa no México que foi desenvolvida para complementar
a iniciativa “Rhine”. O codinome secreto dessa segunda operação foi “Lua Cheia”.
Esta campanha teve dois propósitos. O primeiro era para desenvolver uma extensa
rede para distribuição de droga dentro dos Estados Unidos. O Segundo era
treinar agentes que iriam ser inseridos dentro dos Estados Unidos e Canadá que possuíam
instruções para se infiltrar nas redes de distribuição de drogas. Utilizando os
seus contatos dentro das redes do México, eles deveriam tomar conta
gradualmente das redes dos Estados Unidos e do Canadá. O nome “Lua Cheia” se
referre ao fato dos agentes do Bloco Soviético estarem em controle da maior
parte dos grupos dos Estados Unidos e do Canadá. México, é bom destacar, sempre
foi um alvo importante também da ofensiva Chinesa com drogas.
Com ambos
Soviéticos (inicialmente utilizando os Cubanos) e Chineses focando no México,
não é de se surpreender que o México é uma das principais rotas do narcotráfico
de heroína, cocaína e maconha para dentro dos Estados Unidos.
A
inteligência Checa também se envolveu em operações Cubanas no Panamá, sobre o
codinome “Pablo”. Uma operação Cubana também foi desenvolvida em El Salvador. Em
uma reunião sobre como financiar o Partido Comunista de El Salvador, Sejna
lembra que os soviéticos direcionavam os Cubanos para financiar o Partido
utilizando os lucros das operações com drogas no próprio país.
Uma
operação a parte foi criada para aumentar os “benefícios” daqueles que
regularmente procuravam as quentes areias e aguas das ilhas caribenhas,
especialmente para tirar proveito da expansão do turismo Caribenho. O segundo
secretário do Partido Comunista Francês (um experiente agente da KGB), junto do
primeiro secretário do Partido Comunista do Guadalupe, concebeu esta ideia, de
distribuir drogas nas rotas turísticas do Caribe. Os seus objetivos eram
levantar dinheiro e obter informações que podiam ser utilizadas para chantagear
outros membros da burguesia Americana.
Eles
ajudaram a estabelecer a operação e proveram recomendações das pessoas aptas a
serem recrutadas para operar. A operação foi, mais tarde, entregue a dois
oficiais da inteligência Checa, um da inteligência militar e outro do
Ministério de Interior. Ambos oficiais eram nascidos na França e falavam o
francês fluentemente. Guadalupe era o centro da operação, que servia a ilha de Martinique
e eventualmente as outras ilhas do Caribe. O dinheiro levantado por esta
operação foi capaz de financiar todas as operações da inteligência Comunista em
Guadalupe, Martinique, Suriname, Haiti e boa parte da inteligência Comunista da
França.
No início
da década de 1960, os soviéticos estavam construindo rapidamente várias
organizações pelo América do Norte, América Central, América do Sul e pelo
Caribe. Outros satélites soviéticos diretamente envolvidos eram a
Checoslováquia, Cuba, Hungria, Alemanha Oriental, Bulgária e a Polônia. A
maioria do conhecimento do Sejna era da dimensão da estratégia da parte Checa. As
operações dos outros satélites não são lidadas com detalhes por esta análise,
porém todos eles estavam profundamente envolvidos nas operações com drogas.
Romênia e a Albânia não faziam parte oficialmente da ofensiva Soviética porque
os Soviéticos não confiavam na segurança destes dois países. Albânia chegou a
pedir para participar citando a sua força na inteligência na área Báltica e do
Oriente Médio, porém ao invés de trazer a Albânia para a operação, os Soviéticos
decidiram dar o dinheiro para os Albaneses comprarem os equipamentos
necessários, para que a Albânia trabalhasse de maneira “independente”.
Países em
que o Sejna teve conhecimento direto das organizações que foram estabelecidas
na década de 1960 incluem Canadá, México, Panamá, Argentina, Chile, Brasil,
Colômbia, Costa Rica, Uruguai, Paraguai, Peru, Guadalupe, El Salvador,
República Dominicana, Jamaica e obviamente os Estados Unidos. Para esta lista
deveriam ser adicionados os países onde o crime organizado foi crítico para o
narcotráfico. Um exemplo destes países é a Venezuela, país que os Soviéticos decidiram
em 1960-61 que seria o centro da organização da máfia, das operações e da
lavagem de dinheiro do hemisfério Ocidental.
As drogas
inicialmente escolhidas foram o ópio, heroína, morfina, maconha e os sintéticos
como o LSD. Enquanto a cocaína não era proeminente na época, em 1961, os
Soviéticos, analisando o cenário das drogas, concluíram que a cocaína era, para
utilizar umas das frases favoritas deles “a onda do futuro”. Esta revelação
veio ao Sejna numa reunião em Moscou em 1964 que foi armada para a discussão e
a coordenação de um plano de disfarce. Estavam na reunião, da Checoslováquia, o
chefe da Administração Política Principal, o chefe da Zs (inteligência militar)
e a principal cabeça da inteligência estratégica, além, é claro, do Jan Sejna.
Os soviéticos presentes era o chefe da Administração Política Principal, o
chefe da GRU (Inteligência Militar Soviética) e o chefe da inteligência
estratégica, e o General Boris Shevchenko, o chefe do Departamento de Propaganda
Especial, quem coordenou a reunião.
Foi nesta reunião
que Shevchenko introduziu o termo “Epidemia Rosa”. Discutindo o future, ele
reforçou o potencial da cocaína. Ela é preferida à heroína, ele explicou,
porque ela é de produção mais fácil além de poder ser distribuída para muito
mais pessoas do que a heroína. Os Soviéticos estavam tão impressionados com o
potencial da cocaína, que, de fato, eles falavam numa epidemia, numa “epidemia
branca”. Para “servir e expandir” esta epidemia, Shevchenko explicava, uma produção
e distribuição separada era necessária, iniciando imediatamente.
Esta nova
operação utilizando a cocaína foi referida e chamada pelo codinome de “Epidemia
Rosa”. No início os países que lideraram a produção e distribuição foram a
União Soviética, Checoslováquia e Cuba. A Checoslováquia começou imediatamente
um programa tecnológica especial para desenvolver a as técnicas necessárias.
Esta operação foi operada pela inteligência militar e pelo Departamento de Saúde
sob o comando da contra inteligência militar.
As
necessárias experiências na produção foram conduzidas num centro de pesquisa ultrassecreto
em Milovice. A operação foi facilitada pelos Cubanos, que aprenderam algumas
técnicas rudimentares que eram utilizadas na América do Sul e passaram todas as
informações para a inteligência Checa. Os cientistas Checos aprenderam e depois
evoluíram as técnicas para um modelo de produção em massa de modo mais
profissional.
Assim,
entre 1960 e 1965, os serviços da inteligência Soviética, diretamente de
Moscou, estabeleceram a produção, distribuição de drogas, além de operações de
lavagem de dinheiro por todo o Sul, Centro o Norte do continente Americano.
Somente as pessoas que passavam por um pesado processo de investigação local
podiam fazer parte das operações, que eram discretamente gerenciadas pelo Bloco
Soviético ou pelos agentes da Inteligência Cubana, que, na maioria das vezes,
eram treinados na União Soviética. Os futuros narcotraficantes de todo o mundo
eram treinados em narcotráfico nos centros do Leste Europeu e na União
Soviética. Alguns centros adicionais existiam na Coréia do Norte, no Vietnã do
Norte e em Cuba. Os graduados viravam agentes do narcotráfico Soviético.
Inicialmente o narcotráfico era de heroína, maconha e sintéticos. Porém, com o
efeito que começou em 1964, uma rede especial foi criada para servir e expandir
a futura epidemia de cocaína.
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